Saúde · Ética

Médico pode fazer propaganda? O que o CFM permite

Médico pode fazer propaganda dentro da Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024: pode divulgar valor, consultório, equipamentos e redes sociais; não pode prometer resultado, anunciar especialidade sem RQE nem usar sensacionalismo.

Renan Quintanilia, fundador e diretor do Grupo KOP, autor do artigo
Renan QuintaniliaFundador · Grupo KOP
Publicado em 14 de outubro de 2026Saúde · 12 min de leitura

Médico pode fazer propaganda. A Resolução CFM 2.336/2023, publicada em setembro de 2023 e em vigor desde março de 2024, substituiu a 1.974/2011 e passou a permitir o que antes era vedado: divulgar o valor da consulta e as formas de pagamento, mostrar o consultório e os equipamentos com registro na Anvisa, publicar em redes sociais com selfies e vídeos, e republicar agradecimentos de pacientes de forma sóbria. O que continua proibido é o que transforma a medicina em promessa: garantir resultado, anunciar especialidade sem RQE, sensacionalismo, autopromoção e transmissão de consulta ou procedimento ao vivo.

As seções abaixo trazem o que mudou de uma resolução para a outra, a lista do que é permitido, a lista do que é proibido, as condições para imagens de pacientes e "antes e depois", o que cada canal exige, quem responde perante o CRM, o checklist de revisão de peça, os erros mais comuns e a tabela de risco por prática. As buscas "médico pode anunciar", "publicidade médica CFM" e "o que médico pode postar" são respondidas aqui.

Médico pode fazer propaganda: o que mudou da Resolução 1.974/2011 para a 2.336/2023

A mudança central foi o reconhecimento de que o paciente pesquisa antes de marcar e precisa de informação para decidir. A Resolução 1.974/2011 tratava a publicidade médica como exceção; a 2.336/2023 a trata como atividade regulada, com limites objetivos. O médico que ainda opera pelas regras antigas deixa de informar o que o paciente quer saber; o que ignora as regras novas assume risco de processo ético.

TemaResolução 1.974/2011Resolução 2.336/2023
Preço da consultaVedado divulgarPermitido divulgar valor, formas de pagamento, descontos e campanhas, sem venda casada
EquipamentosVedado anunciar como diferencialPermitido mostrar, com registro na Anvisa, sem atribuir capacidade especial
Redes sociaisRestrição a selfies e à exposição da rotinaPermitido: selfies, vídeos, rotina do consultório, dentro dos limites gerais
Antes e depoisVedadoPermitido com finalidade educativa, sem identificação, sem edição, com indicações, fatores e complicações
Agradecimentos de pacientesVedado divulgarPermitido republicar de forma sóbria e não sistemática, sem superlativo nem promessa
Promessa de resultadoVedadoContinua vedado
Especialidade sem RQEVedadoContinua vedado
Live de procedimentoVedadoContinua vedado (exceção: parto, com autorização)

O que não mudou é o fundamento: a publicidade médica informa, não vende. O Manual de Publicidade Médica do CFM detalha a aplicação, e o Codame de cada CRM fiscaliza.

Médico pode fazer propaganda: o que é permitido

O médico pode divulgar tudo que ajuda o paciente a decidir com quem marcar e o que esperar da consulta, desde que a informação seja verdadeira, sóbria e sem promessa. A lista abaixo reúne o que a Resolução CFM 2.336/2023 autoriza de forma expressa.

Permitido

  • Nome, CRM, RQE e especialidade registrada; títulos acadêmicos reconhecidos.
  • Valor da consulta e do retorno, formas de pagamento, parcelamento, convênios aceitos.
  • Descontos e campanhas promocionais, sem venda casada e sem sensacionalismo.
  • Endereço, horários, telemedicina (pela Resolução CFM 2.314/2022) e canais de contato.
  • Consultório, recepção, sala de exame e equipe, sem paciente identificável.
  • Equipamentos com registro na Anvisa, sem atribuir a eles capacidade especial ou exclusividade.
  • Conteúdo educativo: o que trata, como é o exame, quando procurar, preparo, recuperação.
  • Redes sociais: selfies, vídeos, rotina, participação em congressos.
  • Agradecimentos de pacientes, republicados de forma sóbria e não sistemática, sem superlativo nem promessa.
  • Imagens de pacientes e "antes e depois", com as condições da seção 4.
  • Anúncio pago na pesquisa, em redes e em mídia tradicional, com o mesmo conteúdo permitido.

O que isso muda na captação

O médico pode responder, na página do procedimento, às quatro perguntas que o paciente faz antes de marcar: o que é, quem faz, quanto custa e como marcar. A página que responde às quatro converte de 3% a 8% dos acessos em contato; a que esconde o valor por receio da resolução antiga perde o paciente particular para quem informa.

Médico pode fazer propaganda: o que é proibido

O proibido é tudo que promete, exagera ou expõe. A lista é curta, mas cada item gera processo no Codame, e a maioria das infrações vem de peças feitas por terceiros sem revisão do médico.

Proibido

  • Garantir, prometer ou insinuar resultado: "resolve de vez", "resultado garantido", "100% de sucesso", "sem dor".
  • Anunciar especialidade ou área de atuação sem RQE registrado no CRM; "especialista em" só com o registro.
  • Sensacionalismo: "o mais moderno", "o único", "revolucionário", "milagroso", ranking de "melhores".
  • Autopromoção: exaltar a própria pessoa, número de procedimentos como troféu, "referência nacional".
  • Transmitir consulta ou procedimento ao vivo, inclusive por stories; a exceção é o parto, com autorização.
  • Ensinar técnica médica a não médicos (Resolução CFM 1.718/2004): o tutorial de procedimento para leigo.
  • Identificar paciente por imagem, nome, marcação ou comentário, mesmo com consentimento verbal.
  • "Antes e depois" fora das condições: sem texto educativo, com edição, fora da especialidade com RQE.
  • Consulta ou diagnóstico por rede social, respondendo caso individual em comentário ou direct.
  • Equipamento como garantia: "a tecnologia X garante", "o laser mais potente".
  • Divulgar método não reconhecido ou prática sem respaldo científico como tratamento.

A linha entre informar e prometer

"A infiltração alivia a dor do joelho na maioria dos casos de artrose leve" informa. "A infiltração acaba com a dor do joelho" promete. "O ecocardiograma avalia o funcionamento das válvulas" informa. "O exame mais completo da cidade" exagera. A diferença está no verbo e no comparativo; a revisão de peça procura os dois.

Médico pode fazer propaganda com antes e depois

Pode, com condições cumulativas: finalidade educativa, dentro da especialidade registrada com RQE, sem identificar o paciente, sem edição de imagem, e com texto que informa as indicações, os fatores que prejudicam o resultado e as possíveis complicações. Faltando uma condição, a peça é irregular.

As condições

  1. Finalidade educativa: a imagem ilustra o que o procedimento faz, não vende o procedimento.
  2. Especialidade registrada: o médico tem RQE na área do procedimento mostrado.
  3. Sem identificação: sem rosto reconhecível, sem nome, sem marcação, sem tatuagem ou sinal que identifique.
  4. Sem edição: sem filtro, sem retoque, mesma luz, mesmo ângulo, mesma distância.
  5. Indicações: para quem o procedimento é indicado.
  6. Fatores que prejudicam o resultado: idade, tabagismo, doenças associadas, não seguir o pós-operatório.
  7. Complicações: as possíveis, mesmo que raras.
  8. Consentimento do paciente por escrito para o uso da imagem, guardado no prontuário.

Banco de imagens

Imagem de banco é permitida para ilustrar conteúdo educativo, com a fonte identificada e sem apresentá-la como paciente do médico. A imagem de banco apresentada como caso próprio é publicidade enganosa.

Imagens de pacientes fora do antes e depois

Foto do consultório com paciente na recepção, vídeo de atendimento, registro de cirurgia: só sem identificação e com consentimento, e nunca ao vivo. O sigilo do Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) vale para a imagem como vale para o prontuário.

Médico pode fazer propaganda em cada canal: site, Perfil, Google Ads, Instagram, WhatsApp e e-mail

A regra é a mesma em todos os canais, mas cada um tem exigências próprias de forma. O site é o canal mais controlado e o que mais pede completude; o anúncio tem a política da plataforma somada à resolução; a rede social é onde a maioria das infrações acontece, por velocidade e por terceirização.

CanalO que a 2.336/2023 pedeO que a plataforma pedeRisco principal
SiteNome, CRM, RQE em todas as páginas; responsável técnico na clínica; sem promessaHTTPS, LGPD, política de privacidadeTexto de redator sem revisão do médico
Perfil da EmpresaCategoria real, sem "melhor" no nome, resposta a avaliações sem citar diagnósticoNome igual ao da placa, sem palavra-chave inventadaResponder avaliação confirmando atendimento
Google AdsAnúncio de consulta e procedimento sem promessa; RQE para especialidadePermite consulta e procedimento; proíbe medicamento de prescrição; sem segmentação por condição de saúdeTítulo com "garantido" ou "o melhor"
InstagramEducativo, rotina, equipamentos Anvisa; sem live de procedimento; sem identificar pacienteRegras de conteúdo de saúde da plataformaStories ao vivo e "antes e depois" sem texto
WhatsAppSem diagnóstico por mensagem; sem promessa; sigiloLista de transmissão só com consentimentoSecretaria respondendo pergunta clínica
E-mailConteúdo educativo e informativo; valor e campanhas permitidosLGPD: consentimento e descadastroCampanha com urgência artificial

O que vale em todos

  • Identificação do médico (nome, CRM, RQE) e, na clínica, do responsável técnico.
  • Nenhuma promessa, nenhum comparativo, nenhum superlativo.
  • Nenhum paciente identificável.
  • Valor e campanha, quando houver, sem venda casada.

Médico pode fazer propaganda e quem responde: o médico, o Codame e a Jornada do Paciente

Quem responde pela propaganda é o médico, sempre. A agência que escreveu o texto, o designer que montou a peça e a plataforma que veiculou não respondem perante o CRM; o médico que assinou, ou cuja clínica veiculou, responde. Por isso a revisão de toda peça pelo médico não é formalidade: é a única defesa.

Quem fiscaliza

  • Codame (Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos) de cada CRM: recebe denúncias, analisa peças e abre sindicância.
  • Manual de Publicidade Médica do CFM: detalha a aplicação da 2.336/2023 com exemplos.
  • Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018): sigilo, relação com o paciente e vedações gerais.
  • Na clínica: o responsável técnico responde pela publicidade institucional; cada médico, pela própria página.

A agência

A agência especializada em saúde conhece a resolução e entrega a peça já dentro dela, mas não assume a responsabilidade ética: o contrato pode prever revisão e correção, não transferência. O médico que terceiriza o Instagram sem revisar assume o risco de cada story.

A Jornada do Paciente como captação ética

A captação que não precisa de promessa é a que informa e organiza. A Jornada do Paciente é o pré-atendimento dentro de cada página do site: três ou quatro perguntas (queixa ou procedimento, particular ou convênio, urgência, cidade) que chegam ao WhatsApp organizadas, para a secretaria responder em cinco minutos com dois horários. Não promete resultado, não compara, não expõe ninguém; converte porque responde ao que o paciente pesquisou. Taxas de referência: 3% a 6% dos acessos orgânicos e 4% a 8% dos cliques pagos viram contato; 40% a 60% viram consulta; 70% a 85% comparecem.

Médico pode fazer propaganda: checklist de revisão de peça, erros e tabela de risco

Toda peça passa por dez perguntas antes de ir ao ar, e o médico responde a todas. A revisão leva cinco minutos e evita a sindicância que leva meses.

Checklist de revisão de peça

  1. O nome, o CRM e o RQE estão na peça (ou na página de destino).
  2. A especialidade citada corresponde ao RQE registrado.
  3. Não há verbo de promessa: garantir, resolver, acabar, eliminar, curar.
  4. Não há comparativo nem superlativo: melhor, único, mais moderno, referência.
  5. Nenhum paciente é identificável por imagem, nome, marcação ou comentário.
  6. O "antes e depois", se houver, tem texto educativo, indicações, fatores e complicações, sem edição.
  7. O equipamento, se citado, tem registro na Anvisa e não é apresentado como garantia.
  8. O valor ou a campanha, se houver, não cria venda casada nem urgência artificial.
  9. Não há transmissão ao vivo nem tutorial de técnica para leigo.
  10. A peça foi lida e aprovada pelo médico, com registro da aprovação.

Os erros mais comuns

  • Delegar o Instagram sem revisar e descobrir o story ao vivo depois.
  • "Especialista em" por área de interesse, sem RQE.
  • Agradecimento de paciente republicado toda semana com "a melhor médica do mundo".
  • Anúncio na pesquisa com "resultado garantido" no título.
  • Responder avaliação no Perfil confirmando que a pessoa foi atendida e citando o diagnóstico.
  • Esconder o valor da consulta por achar que ainda é proibido.

Tabela de risco por prática

PráticaSituação na 2.336/2023RiscoComo corrigir
Divulgar valor da consultaPermitidoNenhum, sem venda casadaManter
Mostrar consultório e equipamentosPermitido com registro na AnvisaBaixoRetirar "o mais moderno"
Agradecimento de pacientePermitido, sóbrio e não sistemáticoMédio quando vira rotinaRepublicar sem superlativo e sem frequência fixa
Antes e depoisPermitido com condiçõesAlto sem texto educativoIncluir indicações, fatores, complicações; sem edição
"Especialista em" sem RQEProibidoAltoTrocar por "atende" ou registrar o RQE
Promessa de resultadoProibidoAltoReescrever com "na maioria dos casos", "pode"
Live de procedimentoProibidoAltoGravar, editar sem identificar, publicar com texto educativo

Exemplo

Um consultório de ortopedia terceirizava o Instagram e recebeu notificação do Codame por um reels com "resultado garantido" em infiltração e por um "antes e depois" sem texto. Retirou as peças, passou a revisar tudo pelo checklist de dez itens, publicou no site as páginas de procedimento com valor, indicações, fatores e complicações, e trocou o link da bio para a página com a Jornada do Paciente. A sindicância foi arquivada com a correção, e o consultório passou de 15 para 50 pré-atendimentos por mês em quatro meses, sem uma promessa sequer.

Perguntas sobre médico pode fazer propaganda e o que o CFM permite

Médico pode fazer propaganda

Pode, dentro da Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024: valor de consulta, formas de pagamento, consultório, equipamentos com registro na Anvisa, redes sociais e conteúdo educativo são permitidos. Promessa de resultado, especialidade sem RQE, sensacionalismo e live de procedimento são proibidos.

O que mudou na publicidade médica em 2024

A 2.336/2023 substituiu a 1.974/2011 e passou a permitir divulgar preço, descontos e campanhas, mostrar equipamentos, publicar selfies e vídeos, republicar agradecimentos de forma sóbria e usar antes e depois com finalidade educativa. As proibições de promessa, RQE e sensacionalismo continuam.

Médico pode anunciar no Google

Pode: o Google Ads permite anúncio de consulta e procedimento e proíbe medicamento de prescrição; não há segmentação por condição de saúde. O anúncio segue a 2.336/2023: sem promessa, sem superlativo, com RQE para a especialidade anunciada.

Médico pode postar antes e depois

Pode, com finalidade educativa, dentro da especialidade com RQE, sem identificar o paciente, sem edição, e com texto que traz indicações, fatores que prejudicam o resultado e complicações. Sem uma dessas condições, a peça é irregular.

Médico pode fazer live de procedimento

Não: a 2.336/2023 proíbe transmitir consulta ou procedimento ao vivo; a exceção é o parto, com autorização. O procedimento pode ser gravado, editado sem identificar o paciente e publicado com texto educativo.

Quem responde se a agência errar na propaganda

O médico. A agência, o designer e a plataforma não respondem perante o CRM; o Codame notifica o médico que assinou ou cuja clínica veiculou. O contrato com a agência pode prever revisão e correção, não transferência da responsabilidade ética.

O que acontece se o médico descumprir a resolução

O Codame do CRM abre sindicância, pode pedir a retirada da peça e, conforme a gravidade, instaurar processo ético-profissional, com penas que vão de advertência confidencial a suspensão. A maioria dos casos se resolve com a retirada e a correção.

Resumo · médico pode fazer propaganda e o que o CFM permite

  1. Pode dentro da Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024, que substituiu a 1.974/2011.
  2. Permitido valor, formas de pagamento, descontos, consultório, equipamentos Anvisa, redes, educativo, agradecimentos sóbrios.
  3. Proibido promessa, especialidade sem RQE, sensacionalismo, autopromoção, live de procedimento, identificar paciente.
  4. Antes e depois educativo, com RQE, sem identificação, sem edição, com indicações, fatores e complicações.
  5. Cada canal mesma regra, forma diferente: Ads sem promessa no título, Perfil sem diagnóstico na resposta, Instagram sem live.
  6. Quem responde o médico, sempre; a agência revisa e corrige, não assume perante o Codame.
  7. Captação ética Jornada do Paciente: informa, organiza e converte sem promessa.

Médico pode fazer propaganda, e a Resolução CFM 2.336/2023 permite mais do que a maioria usa: valor, consultório, equipamentos, redes e conteúdo educativo, sem promessa e com RQE. A captação que respeita isso é a que informa e organiza o contato. O Grupo KOP faz isso para médicos e clínicas desde 2016, com a Jornada do Paciente e revisão de cada peça; o caminho está em marketing para saúde e os preços em tabela de preços.

Renan Quintanilia, fundador e diretor do Grupo KOP
Sobre o autor

Renan Quintanilia

Fundador e Diretor · Grupo KOP

Atua há mais de 10 anos com marketing digital especializado em Google. Fundou a KOP em 2016 e desde então constrói operações digitais auditáveis para profissionais regulamentados e empresas em todo o Brasil. Especialista em SEO técnico, Google Ads, GEO, recuperação de sites e Google Search Console, escreve sobre o que aplica todos os dias nos clientes da agência.

A KOP é a agência que capta pacientes para médicos e clínicas dentro da Resolução CFM 2.336/2023, desde 2016.

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