Montar tabela de frete é transformar o custo operacional por km da transportadora em preços por faixa que o comercial aplica sem recalcular cada carga e que o embarcador entende antes de pedir cotação. A tabela escolhe um modelo (km, faixa de peso ou cubagem, rota fixa, pallet ou lotação), soma os componentes (frete-peso, ad valorem, GRIS, pedágio, taxas, seguro RCTR-C) sobre o custo por km com margem, respeita o piso da ANTT como referência e define reajuste, validade e cláusulas. A transportadora que copia a tabela do concorrente trabalha com a margem do concorrente, que pode ser negativa.
As seções abaixo trazem os modelos, os componentes do fracionado e o piso da ANTT, o custo por km e a margem em passos, a tabela pública contra a negociada com faixas por km, reajuste e cláusulas, a tabela como ferramenta comercial, os erros e uma simulação de três rotas. As buscas "tabela de frete transportadora", "como montar tabela de frete fracionado" e "quanto cobrar frete por km" são respondidas aqui.
Como montar tabela de frete: os modelos e quando usar cada um
Existem cinco modelos de tabela de frete, e a maioria das transportadoras usa dois ao mesmo tempo: faixas de peso ou cubagem para o fracionado e valor por veículo ou por km para a lotação. O modelo depende do tipo de carga, da previsibilidade da rota e do cliente.
| Modelo | Quando usar | Vantagem | Risco |
|---|---|---|---|
| Por km rodado | Lotação e dedicado, rotas variáveis, contratos com indústria | Simples de explicar e de reajustar | Ignora retorno vazio e tempo de espera sem cláusula |
| Por faixa de peso ou cubagem | Fracionado, varejo online, distribuição regional | Cobre a cubagem e permite consolidação | Faixas mal calibradas subsidiam carga leve e volumosa |
| Por rota fixa | Transferência entre filiais, rotas rodadas toda semana | Preço previsível; vira página de rota no site | Diesel e pedágio exigem reajuste frequente |
| Por pallet | Carga paletizada, armazém, cross-docking, cooperativas | Cálculo rápido; combina com armazenagem | Pallet fora de padrão e sobrepeso sem taxa |
| Por lotação (veículo fechado) | Carga completa, máquinas, mudanças, químicos | Margem conhecida por viagem | Retorno vazio zera a margem |
Na prática, o fracionado usa faixas de peso (até 30 kg, 31 a 100, 101 a 300, 301 a 1.000, acima de 1.000 kg) com fator de cubagem por rota; a lotação usa preço por veículo (VUC, 3/4, toco, truck, carreta) por rota ou por km com mínimo de viagem. A tabela de mudanças segue lógica própria e responde ao Código de Defesa do Consumidor com orçamento prévio por escrito.
Como montar tabela de frete fracionado
A tabela de frete fracionado se monta por rota, com frete-peso por faixa, frete-valor sobre a nota, GRIS, pedágio, taxas e seguro. O piso mínimo da ANTT (Lei 13.703/2018) é obrigatório na contratação do autônomo e é referência de mercado para a frota própria: tabela abaixo do piso costuma estar abaixo do custo.
Os componentes da tabela
- Frete-peso: por faixa ou por kg, sobre o maior entre peso real e cubado (m³ × fator; 300 kg/m³ é o usual).
- Frete-valor (ad valorem): 0,3% a 1% da nota, pelo risco da carga; maior para eletrônicos e medicamentos.
- GRIS: 0,1% a 0,5% da nota, pelo gerenciamento de risco (rastreamento, PGR, escolta por faixa de valor).
- Pedágio: por eixo e trecho, em valor fixo por rota ou por fração de 100 kg.
- Taxas por situação: TDE (dificuldade de entrega), TAS (agendamento), TRT (restrição de trânsito), coleta e entrega fora de rota, reentrega, devolução, descarga, diária de espera.
- Seguro: RCTR-C obrigatório e RC-DC ou RCF-DC quando o cliente exige, embutido no ad valorem ou destacado; a Lei 14.599/2023 alterou as regras (conferir vigência).
- Frete mínimo por rota e impostos (ICMS conforme origem e regime, PIS e COFINS), com a indicação de valores com ou sem impostos.
Linha ilustrativa: rota [origem]–[destino], até 100 kg R$ 180; 101 a 300 kg R$ 320; acima R$ 0,95/kg; ad valorem 0,5%; GRIS 0,2%; TDE R$ 65; frete mínimo R$ 150. O que define a linha é o custo por km, calculado na seção seguinte.
Como montar tabela de frete: custo operacional por km e margem em passos
A tabela sai do custo por km, e o custo por km sai de sete itens: diesel, pneus, manutenção, motorista, depreciação, custo fixo rateado e ociosidade de retorno. O método leva duas a quatro horas por tipo de veículo e vale 12 meses com reajuste.
O método em seis passos
- Custo variável por km: diesel (consumo × preço), pneus (jogo ÷ vida útil), manutenção (histórico de 12 meses ÷ km).
- Custo fixo mensal do veículo: motorista conforme a Lei 13.103/2015, depreciação, licenciamento, seguro, rastreador, IPVA.
- Custo fixo da empresa rateado: administrativo, sistema, CT-e, pátio, comercial, dividido pela frota.
- Divisão pelos km produtivos: o retorno vazio entra como custo, não como km produtivo; 40% de retorno vazio custa 40% a mais por km carregado.
- Margem: 10% a 25%, maior em cargas especiais e rotas sem concorrência.
- Conversão em faixas: custo da viagem ÷ capacidade útil (peso ou m³) dá o frete-peso base do fracionado; na lotação, o custo da viagem com margem é o preço.
Tabela de exemplo: truck em rota de 450 km
| Item | Base | Custo por km |
|---|---|---|
| Diesel | 3,2 km/l × R$ 6,20/l | R$ 1,94 |
| Pneus | R$ 18.000 ÷ 90.000 km | R$ 0,20 |
| Manutenção e lubrificantes | R$ 36.000/ano ÷ 96.000 km | R$ 0,38 |
| Motorista (salário, encargos, diárias) | R$ 9.500/mês ÷ 8.000 km | R$ 1,19 |
| Depreciação, seguro, licenciamento, rastreador | R$ 7.200/mês ÷ 8.000 km | R$ 0,90 |
| Custo fixo da empresa rateado | R$ 4.000/mês ÷ 8.000 km | R$ 0,50 |
| Subtotal | R$ 5,11 | |
| Ociosidade de retorno (30% vazio) | R$ 5,11 ÷ 0,70 | R$ 7,30 por km carregado |
| Margem de 18% | R$ 8,61 por km carregado |
Valores ilustrativos. Na rota de 450 km, a lotação sai por cerca de R$ 3.900 mais pedágio; dividido por 12 toneladas úteis, o frete-peso base do fracionado fica em torno de R$ 0,32/kg antes das faixas e taxas. Com carga no retorno, o custo cai para R$ 5,11 por km: o argumento para prospectar na rota de volta.
Quanto cobrar frete por km
O frete por km para lotação em frota própria fica, em faixas de referência amplas, entre R$ 4 e R$ 7 por km para VUC e 3/4, R$ 6 a R$ 10 para toco e truck e R$ 8 a R$ 14 para carreta, mais pedágio, variando por região, retorno, tipo de carga e diesel. O fracionado se cobra por faixa de peso ou cubagem na rota, com frete mínimo de R$ 120 a R$ 250. O piso da ANTT, por eixo e tipo de carga, é o chão de qualquer cotação.
Tabela pública e tabela negociada
- Pública (site): faixas de frete por rota e tipo de carga, como referência, com data; cotação estimada em minutos com KOPFRETE; frete mínimo, taxas e prazos por rota. Ranqueia, é citada pelas IAs e filtra quem procura abaixo do custo.
- Negociada (por cliente): preço fechado por faixa e rota, com desconto por volume; cotação formal após conferência e, depois do segundo embarque, contrato com SLA, janela de coleta, índice de avaria e prazo de pagamento. Retém o recorrente.
O que publicar no site
- Faixas de referência por rota e tipo de carga ("fracionado [origem]–[destino]: de R$ 180 a R$ 950 conforme peso e cubagem; lotação truck: a partir de R$ 3.900"), com data.
- Cotação estimada em cada página de rota e de serviço, sujeita à conferência da carga; regras de cubagem, frete mínimo, taxas e prazos; RNTRC e seguros perto do preço.
- Fora do site: desconto por volume, prazo de pagamento, tabela de rota de retorno, SLA e multa, que pertencem ao contrato.
Publicar faixas filtra quem busca o menor preço e atrai quem compara prazo e confiança. Como a cotação estimada vira formal está em como fazer cotação de frete para transportadora.
Como montar tabela de frete: reajuste, validade e cláusulas
Tabela sem reajuste e sem validade vira prejuízo em seis meses: o diesel responde por 30% a 40% do custo variável e o pedágio sobe todo ano.
Mecanismos de reajuste
- Diesel: repasse quando a variação acumulada passar de 5% a 8%, com fórmula (peso do diesel no custo × variação).
- Pedágio: repasse integral na data do reajuste das concessionárias.
- Índice geral: INPC ou índice acordado, uma vez ao ano; atualização do piso da ANTT como gatilho na subcontratação de autônomos.
Validade e cláusulas
- Tabela pública: validade de 30 a 90 dias, com data no site; cotação formal: 7 a 15 dias; tabela negociada: 12 meses, com revisão trimestral de indicadores.
- Cubagem: fator e arredondamento escritos; tempo de espera: horas incluídas e diária, dentro da jornada da Lei 13.103/2015.
- Taxas discriminadas com valores; seguro com cobertura, limite por embarque e averbação; pagamento com prazo, juros e suspensão de coleta por inadimplência.
Nas mudanças, o CDC: orçamento prévio por escrito e valor fechado após a visita, sem taxa não informada.
Como montar tabela de frete: a tabela como ferramenta comercial e a Jornada do Cliente
A tabela bem montada vende mais do que o vendedor: fecha contrato recorrente porque dá previsibilidade, reduz a cotação manual porque o comercial aplica a faixa, e alimenta a cotação estimada do site. A transportadora com tabela vende rotas; a sem tabela vende cargas, uma por uma.
Como a tabela fecha o recorrente
- Na prospecção, a cotação-exemplo na rota do prospect sai da tabela em cinco minutos.
- No segundo embarque, a tabela negociada com desconto por volume transforma o avulso em contrato de 12 meses.
- Na homologação e na licitação, a tabela responde ao questionário de compras e evita lance abaixo do custo.
Jornada do Cliente
- O embarcador chega pela página da rota e pede a cotação estimada; o KOPFRETE aplica as faixas da tabela e devolve a faixa com os próximos passos.
- A Jornada do Cliente pergunta frequência, sazonalidade e volume mensal e separa avulso de recorrente; clientes com tabela negociada embarcam sem cotação.
- O avulso recebe cotação formal no mesmo dia; o recorrente, tabela negociada em até 15 dias; follow-up em 24 horas.
Com tabela e cotação estimada no site, o comercial deixa de cotar manualmente 60% a 80% das cargas; o método que usa a tabela como argumento está em como prospectar clientes para transportadora.
Como montar tabela de frete: erros, simulação de três rotas e exemplo
Os sete erros da tabela de frete
- Copiar a tabela do concorrente sem conhecer o próprio custo por km.
- Ignorar o retorno vazio.
- Tabela sem GRIS e sem ad valorem, com o risco da carga pago pela margem.
- Abaixo do piso da ANTT na subcontratação de autônomos, ou abaixo do custo da frota própria.
- Fator de cubagem não escrito.
- Sem reajuste e sem validade: a tabela de janeiro honrada em dezembro.
- Tabela guardada no comercial, sem faixas no site e sem cotação estimada.
Simulação de três rotas (truck, 12 t, valores ilustrativos)
| Rota | Distância | Retorno | Custo por km carregado | Lotação com margem de 18% | Frete-peso base fracionado |
|---|---|---|---|---|---|
| Rota A [origem]–[destino] | 450 km | 30% vazio | R$ 7,30 | R$ 3.880 + pedágio | R$ 0,32/kg |
| Rota B [origem]–[destino] | 820 km | Carga de volta (0% vazio) | R$ 5,11 | R$ 4.950 + pedágio | R$ 0,41/kg |
| Rota C [origem]–[destino] | 180 km | 60% vazio | R$ 12,78 | R$ 2.710 + pedágio | R$ 0,23/kg |
As faixas são de referência. A rota B, mais longa, tem o menor custo por km porque o retorno é pago; a rota C, curta, é a mais cara porque volta vazia. Cobrar a rota C pelo preço da A perde dinheiro em cada viagem.
Exemplo
Uma transportadora de fracionado e lotação com 9 veículos cobrava por km uma tabela copiada de um concorrente maior e fechava o ano com margem de 3%. Calculou o custo por km, descobriu 45% de retorno vazio em duas rotas, montou faixas por peso e cubagem com ad valorem, GRIS, TDE, TAS e frete mínimo, gatilho de diesel a 6% e validade de 60 dias, publicou as faixas em 7 páginas de rota com o KOPFRETE e ofereceu tabela negociada aos 12 clientes com mais de dois embarques por mês. Em oito meses: 9 contratos de 12 meses, 58 cotações estimadas por mês, retorno vazio em 20%, 70% menos cotação manual e margem de 14% sobre faturamento 35% maior.
Perguntas sobre como montar tabela de frete
Como montar tabela de frete
Escolhendo o modelo (km, faixa de peso ou cubagem, rota, pallet ou lotação), calculando o custo por km com retorno vazio, aplicando margem de 10% a 25%, somando ad valorem, GRIS, pedágio, taxas e seguro, respeitando o piso da ANTT e definindo reajuste e validade.
Quanto cobrar frete por km
Em faixas de referência amplas, R$ 4 a R$ 7 por km para VUC e 3/4, R$ 6 a R$ 10 para toco e truck e R$ 8 a R$ 14 para carreta, mais pedágio, variando por região e retorno. O fracionado se cobra por faixa de peso ou cubagem, com frete mínimo de R$ 120 a R$ 250.
O que entra na tabela de frete fracionado
Frete-peso por faixa (maior entre peso real e cubado, fator usual de 300 kg/m³), ad valorem de 0,3% a 1% da nota, GRIS de 0,1% a 0,5%, pedágio por eixo ou por fração de 100 kg, TDE, TAS, TRT, coleta, entrega, reentrega, devolução, seguro RCTR-C e frete mínimo.
A tabela da ANTT é obrigatória para transportadora
O piso mínimo da Lei 13.703/2018 é obrigatório na contratação de transportador autônomo e serve de referência de mercado para a empresa com frota própria. Subcontratar autônomo abaixo do piso é ilegal; precificar a frota própria abaixo do custo por km é prejuízo.
Como calcular o custo por km de um caminhão
Somando diesel, pneus e manutenção por km ao custo fixo mensal (motorista, depreciação, seguro, rastreador e custo da empresa rateado) dividido pelos km do mês, e dividindo pela fração de km carregados. Um truck fica entre R$ 5 e R$ 8 por km carregado, em faixa de referência.
Transportadora deve publicar a tabela de frete no site
Deve publicar faixas de referência por rota e tipo de carga, com data e cotação estimada em minutos, e negociar por cliente desconto por volume, prazo de pagamento e SLA. Faixas públicas filtram quem procura abaixo do custo.
Como reajustar a tabela de frete
Com gatilho de diesel (variação acumulada de 5% a 8%), repasse de pedágio na data do reajuste, INPC anual para os demais custos e validade escrita: 30 a 90 dias na tabela pública, 7 a 15 dias na cotação formal e 12 meses na negociada.
Resumo · como montar tabela de frete
- Cinco modelos por km, por faixa de peso ou cubagem, por rota fixa, por pallet e por lotação; fracionado e lotação convivem na mesma tabela.
- Componentes frete-peso ou cubagem, ad valorem, GRIS, pedágio, TDE, TAS, TRT, coleta, entrega, devolução, seguro RCTR-C e frete mínimo; piso da ANTT como referência.
- Custo por km em seis passos variável, fixo do veículo, fixo da empresa, km produtivos com retorno vazio, margem de 10% a 25%, conversão em faixas.
- Quanto cobrar por km R$ 4 a R$ 7 (VUC e 3/4), R$ 6 a R$ 10 (toco e truck), R$ 8 a R$ 14 (carreta), mais pedágio, em faixas de referência; fracionado por faixa de peso.
- Pública e negociada faixas por rota e tipo de carga com cotação estimada no site; desconto, prazo e SLA no contrato por cliente.
- Reajuste e validade gatilho de diesel, repasse de pedágio, INPC anual; 30 a 90 dias na pública, 7 a 15 na cotação, 12 meses na negociada.
- Ferramenta comercial a tabela fecha o recorrente, sustenta homologação e licitação e reduz a cotação manual em 60% a 80% com o KOPFRETE e a Jornada do Cliente.
Montar tabela de frete é partir do custo por km da própria frota, somar os componentes, respeitar o piso da ANTT, publicar faixas por rota com cotação estimada e negociar por cliente com reajuste e validade. O Grupo KOP publica as faixas e a cotação estimada no site de transportadoras desde 2016, com a Jornada do Cliente e o KOPFRETE; o caminho está em marketing para logística e transportes e os preços em tabela de preços.