Logística · Transportadoras

Como montar tabela de frete?

Montar tabela de frete é escolher o modelo (km, faixa de peso ou cubagem, rota, pallet, lotação), somar frete-peso, ad valorem, GRIS, pedágio, taxas e seguro sobre o custo por km com margem, respeitar o piso da ANTT e publicar faixas por rota.

Renan Quintanilia, fundador e diretor do Grupo KOP, autor do artigo
Renan QuintaniliaFundador · Grupo KOP
Publicado em 14 de outubro de 2026Logística · 13 min de leitura

Montar tabela de frete é transformar o custo operacional por km da transportadora em preços por faixa que o comercial aplica sem recalcular cada carga e que o embarcador entende antes de pedir cotação. A tabela escolhe um modelo (km, faixa de peso ou cubagem, rota fixa, pallet ou lotação), soma os componentes (frete-peso, ad valorem, GRIS, pedágio, taxas, seguro RCTR-C) sobre o custo por km com margem, respeita o piso da ANTT como referência e define reajuste, validade e cláusulas. A transportadora que copia a tabela do concorrente trabalha com a margem do concorrente, que pode ser negativa.

As seções abaixo trazem os modelos, os componentes do fracionado e o piso da ANTT, o custo por km e a margem em passos, a tabela pública contra a negociada com faixas por km, reajuste e cláusulas, a tabela como ferramenta comercial, os erros e uma simulação de três rotas. As buscas "tabela de frete transportadora", "como montar tabela de frete fracionado" e "quanto cobrar frete por km" são respondidas aqui.

Como montar tabela de frete: os modelos e quando usar cada um

Existem cinco modelos de tabela de frete, e a maioria das transportadoras usa dois ao mesmo tempo: faixas de peso ou cubagem para o fracionado e valor por veículo ou por km para a lotação. O modelo depende do tipo de carga, da previsibilidade da rota e do cliente.

ModeloQuando usarVantagemRisco
Por km rodadoLotação e dedicado, rotas variáveis, contratos com indústriaSimples de explicar e de reajustarIgnora retorno vazio e tempo de espera sem cláusula
Por faixa de peso ou cubagemFracionado, varejo online, distribuição regionalCobre a cubagem e permite consolidaçãoFaixas mal calibradas subsidiam carga leve e volumosa
Por rota fixaTransferência entre filiais, rotas rodadas toda semanaPreço previsível; vira página de rota no siteDiesel e pedágio exigem reajuste frequente
Por palletCarga paletizada, armazém, cross-docking, cooperativasCálculo rápido; combina com armazenagemPallet fora de padrão e sobrepeso sem taxa
Por lotação (veículo fechado)Carga completa, máquinas, mudanças, químicosMargem conhecida por viagemRetorno vazio zera a margem

Na prática, o fracionado usa faixas de peso (até 30 kg, 31 a 100, 101 a 300, 301 a 1.000, acima de 1.000 kg) com fator de cubagem por rota; a lotação usa preço por veículo (VUC, 3/4, toco, truck, carreta) por rota ou por km com mínimo de viagem. A tabela de mudanças segue lógica própria e responde ao Código de Defesa do Consumidor com orçamento prévio por escrito.

Como montar tabela de frete fracionado

A tabela de frete fracionado se monta por rota, com frete-peso por faixa, frete-valor sobre a nota, GRIS, pedágio, taxas e seguro. O piso mínimo da ANTT (Lei 13.703/2018) é obrigatório na contratação do autônomo e é referência de mercado para a frota própria: tabela abaixo do piso costuma estar abaixo do custo.

Os componentes da tabela

  1. Frete-peso: por faixa ou por kg, sobre o maior entre peso real e cubado (m³ × fator; 300 kg/m³ é o usual).
  2. Frete-valor (ad valorem): 0,3% a 1% da nota, pelo risco da carga; maior para eletrônicos e medicamentos.
  3. GRIS: 0,1% a 0,5% da nota, pelo gerenciamento de risco (rastreamento, PGR, escolta por faixa de valor).
  4. Pedágio: por eixo e trecho, em valor fixo por rota ou por fração de 100 kg.
  5. Taxas por situação: TDE (dificuldade de entrega), TAS (agendamento), TRT (restrição de trânsito), coleta e entrega fora de rota, reentrega, devolução, descarga, diária de espera.
  6. Seguro: RCTR-C obrigatório e RC-DC ou RCF-DC quando o cliente exige, embutido no ad valorem ou destacado; a Lei 14.599/2023 alterou as regras (conferir vigência).
  7. Frete mínimo por rota e impostos (ICMS conforme origem e regime, PIS e COFINS), com a indicação de valores com ou sem impostos.

Linha ilustrativa: rota [origem]–[destino], até 100 kg R$ 180; 101 a 300 kg R$ 320; acima R$ 0,95/kg; ad valorem 0,5%; GRIS 0,2%; TDE R$ 65; frete mínimo R$ 150. O que define a linha é o custo por km, calculado na seção seguinte.

Como montar tabela de frete: custo operacional por km e margem em passos

A tabela sai do custo por km, e o custo por km sai de sete itens: diesel, pneus, manutenção, motorista, depreciação, custo fixo rateado e ociosidade de retorno. O método leva duas a quatro horas por tipo de veículo e vale 12 meses com reajuste.

O método em seis passos

  1. Custo variável por km: diesel (consumo × preço), pneus (jogo ÷ vida útil), manutenção (histórico de 12 meses ÷ km).
  2. Custo fixo mensal do veículo: motorista conforme a Lei 13.103/2015, depreciação, licenciamento, seguro, rastreador, IPVA.
  3. Custo fixo da empresa rateado: administrativo, sistema, CT-e, pátio, comercial, dividido pela frota.
  4. Divisão pelos km produtivos: o retorno vazio entra como custo, não como km produtivo; 40% de retorno vazio custa 40% a mais por km carregado.
  5. Margem: 10% a 25%, maior em cargas especiais e rotas sem concorrência.
  6. Conversão em faixas: custo da viagem ÷ capacidade útil (peso ou m³) dá o frete-peso base do fracionado; na lotação, o custo da viagem com margem é o preço.

Tabela de exemplo: truck em rota de 450 km

ItemBaseCusto por km
Diesel3,2 km/l × R$ 6,20/lR$ 1,94
PneusR$ 18.000 ÷ 90.000 kmR$ 0,20
Manutenção e lubrificantesR$ 36.000/ano ÷ 96.000 kmR$ 0,38
Motorista (salário, encargos, diárias)R$ 9.500/mês ÷ 8.000 kmR$ 1,19
Depreciação, seguro, licenciamento, rastreadorR$ 7.200/mês ÷ 8.000 kmR$ 0,90
Custo fixo da empresa rateadoR$ 4.000/mês ÷ 8.000 kmR$ 0,50
SubtotalR$ 5,11
Ociosidade de retorno (30% vazio)R$ 5,11 ÷ 0,70R$ 7,30 por km carregado
Margem de 18%R$ 8,61 por km carregado

Valores ilustrativos. Na rota de 450 km, a lotação sai por cerca de R$ 3.900 mais pedágio; dividido por 12 toneladas úteis, o frete-peso base do fracionado fica em torno de R$ 0,32/kg antes das faixas e taxas. Com carga no retorno, o custo cai para R$ 5,11 por km: o argumento para prospectar na rota de volta.

Quanto cobrar frete por km

O frete por km para lotação em frota própria fica, em faixas de referência amplas, entre R$ 4 e R$ 7 por km para VUC e 3/4, R$ 6 a R$ 10 para toco e truck e R$ 8 a R$ 14 para carreta, mais pedágio, variando por região, retorno, tipo de carga e diesel. O fracionado se cobra por faixa de peso ou cubagem na rota, com frete mínimo de R$ 120 a R$ 250. O piso da ANTT, por eixo e tipo de carga, é o chão de qualquer cotação.

Tabela pública e tabela negociada

  • Pública (site): faixas de frete por rota e tipo de carga, como referência, com data; cotação estimada em minutos com KOPFRETE; frete mínimo, taxas e prazos por rota. Ranqueia, é citada pelas IAs e filtra quem procura abaixo do custo.
  • Negociada (por cliente): preço fechado por faixa e rota, com desconto por volume; cotação formal após conferência e, depois do segundo embarque, contrato com SLA, janela de coleta, índice de avaria e prazo de pagamento. Retém o recorrente.

O que publicar no site

  • Faixas de referência por rota e tipo de carga ("fracionado [origem]–[destino]: de R$ 180 a R$ 950 conforme peso e cubagem; lotação truck: a partir de R$ 3.900"), com data.
  • Cotação estimada em cada página de rota e de serviço, sujeita à conferência da carga; regras de cubagem, frete mínimo, taxas e prazos; RNTRC e seguros perto do preço.
  • Fora do site: desconto por volume, prazo de pagamento, tabela de rota de retorno, SLA e multa, que pertencem ao contrato.

Publicar faixas filtra quem busca o menor preço e atrai quem compara prazo e confiança. Como a cotação estimada vira formal está em como fazer cotação de frete para transportadora.

Como montar tabela de frete: reajuste, validade e cláusulas

Tabela sem reajuste e sem validade vira prejuízo em seis meses: o diesel responde por 30% a 40% do custo variável e o pedágio sobe todo ano.

Mecanismos de reajuste

  • Diesel: repasse quando a variação acumulada passar de 5% a 8%, com fórmula (peso do diesel no custo × variação).
  • Pedágio: repasse integral na data do reajuste das concessionárias.
  • Índice geral: INPC ou índice acordado, uma vez ao ano; atualização do piso da ANTT como gatilho na subcontratação de autônomos.

Validade e cláusulas

  1. Tabela pública: validade de 30 a 90 dias, com data no site; cotação formal: 7 a 15 dias; tabela negociada: 12 meses, com revisão trimestral de indicadores.
  2. Cubagem: fator e arredondamento escritos; tempo de espera: horas incluídas e diária, dentro da jornada da Lei 13.103/2015.
  3. Taxas discriminadas com valores; seguro com cobertura, limite por embarque e averbação; pagamento com prazo, juros e suspensão de coleta por inadimplência.

Nas mudanças, o CDC: orçamento prévio por escrito e valor fechado após a visita, sem taxa não informada.

Como montar tabela de frete: a tabela como ferramenta comercial e a Jornada do Cliente

A tabela bem montada vende mais do que o vendedor: fecha contrato recorrente porque dá previsibilidade, reduz a cotação manual porque o comercial aplica a faixa, e alimenta a cotação estimada do site. A transportadora com tabela vende rotas; a sem tabela vende cargas, uma por uma.

Como a tabela fecha o recorrente

  • Na prospecção, a cotação-exemplo na rota do prospect sai da tabela em cinco minutos.
  • No segundo embarque, a tabela negociada com desconto por volume transforma o avulso em contrato de 12 meses.
  • Na homologação e na licitação, a tabela responde ao questionário de compras e evita lance abaixo do custo.

Jornada do Cliente

  1. O embarcador chega pela página da rota e pede a cotação estimada; o KOPFRETE aplica as faixas da tabela e devolve a faixa com os próximos passos.
  2. A Jornada do Cliente pergunta frequência, sazonalidade e volume mensal e separa avulso de recorrente; clientes com tabela negociada embarcam sem cotação.
  3. O avulso recebe cotação formal no mesmo dia; o recorrente, tabela negociada em até 15 dias; follow-up em 24 horas.

Com tabela e cotação estimada no site, o comercial deixa de cotar manualmente 60% a 80% das cargas; o método que usa a tabela como argumento está em como prospectar clientes para transportadora.

Como montar tabela de frete: erros, simulação de três rotas e exemplo

Os sete erros da tabela de frete

  1. Copiar a tabela do concorrente sem conhecer o próprio custo por km.
  2. Ignorar o retorno vazio.
  3. Tabela sem GRIS e sem ad valorem, com o risco da carga pago pela margem.
  4. Abaixo do piso da ANTT na subcontratação de autônomos, ou abaixo do custo da frota própria.
  5. Fator de cubagem não escrito.
  6. Sem reajuste e sem validade: a tabela de janeiro honrada em dezembro.
  7. Tabela guardada no comercial, sem faixas no site e sem cotação estimada.

Simulação de três rotas (truck, 12 t, valores ilustrativos)

RotaDistânciaRetornoCusto por km carregadoLotação com margem de 18%Frete-peso base fracionado
Rota A [origem]–[destino]450 km30% vazioR$ 7,30R$ 3.880 + pedágioR$ 0,32/kg
Rota B [origem]–[destino]820 kmCarga de volta (0% vazio)R$ 5,11R$ 4.950 + pedágioR$ 0,41/kg
Rota C [origem]–[destino]180 km60% vazioR$ 12,78R$ 2.710 + pedágioR$ 0,23/kg

As faixas são de referência. A rota B, mais longa, tem o menor custo por km porque o retorno é pago; a rota C, curta, é a mais cara porque volta vazia. Cobrar a rota C pelo preço da A perde dinheiro em cada viagem.

Exemplo

Uma transportadora de fracionado e lotação com 9 veículos cobrava por km uma tabela copiada de um concorrente maior e fechava o ano com margem de 3%. Calculou o custo por km, descobriu 45% de retorno vazio em duas rotas, montou faixas por peso e cubagem com ad valorem, GRIS, TDE, TAS e frete mínimo, gatilho de diesel a 6% e validade de 60 dias, publicou as faixas em 7 páginas de rota com o KOPFRETE e ofereceu tabela negociada aos 12 clientes com mais de dois embarques por mês. Em oito meses: 9 contratos de 12 meses, 58 cotações estimadas por mês, retorno vazio em 20%, 70% menos cotação manual e margem de 14% sobre faturamento 35% maior.

Perguntas sobre como montar tabela de frete

Como montar tabela de frete

Escolhendo o modelo (km, faixa de peso ou cubagem, rota, pallet ou lotação), calculando o custo por km com retorno vazio, aplicando margem de 10% a 25%, somando ad valorem, GRIS, pedágio, taxas e seguro, respeitando o piso da ANTT e definindo reajuste e validade.

Quanto cobrar frete por km

Em faixas de referência amplas, R$ 4 a R$ 7 por km para VUC e 3/4, R$ 6 a R$ 10 para toco e truck e R$ 8 a R$ 14 para carreta, mais pedágio, variando por região e retorno. O fracionado se cobra por faixa de peso ou cubagem, com frete mínimo de R$ 120 a R$ 250.

O que entra na tabela de frete fracionado

Frete-peso por faixa (maior entre peso real e cubado, fator usual de 300 kg/m³), ad valorem de 0,3% a 1% da nota, GRIS de 0,1% a 0,5%, pedágio por eixo ou por fração de 100 kg, TDE, TAS, TRT, coleta, entrega, reentrega, devolução, seguro RCTR-C e frete mínimo.

A tabela da ANTT é obrigatória para transportadora

O piso mínimo da Lei 13.703/2018 é obrigatório na contratação de transportador autônomo e serve de referência de mercado para a empresa com frota própria. Subcontratar autônomo abaixo do piso é ilegal; precificar a frota própria abaixo do custo por km é prejuízo.

Como calcular o custo por km de um caminhão

Somando diesel, pneus e manutenção por km ao custo fixo mensal (motorista, depreciação, seguro, rastreador e custo da empresa rateado) dividido pelos km do mês, e dividindo pela fração de km carregados. Um truck fica entre R$ 5 e R$ 8 por km carregado, em faixa de referência.

Transportadora deve publicar a tabela de frete no site

Deve publicar faixas de referência por rota e tipo de carga, com data e cotação estimada em minutos, e negociar por cliente desconto por volume, prazo de pagamento e SLA. Faixas públicas filtram quem procura abaixo do custo.

Como reajustar a tabela de frete

Com gatilho de diesel (variação acumulada de 5% a 8%), repasse de pedágio na data do reajuste, INPC anual para os demais custos e validade escrita: 30 a 90 dias na tabela pública, 7 a 15 dias na cotação formal e 12 meses na negociada.

Resumo · como montar tabela de frete

  1. Cinco modelos por km, por faixa de peso ou cubagem, por rota fixa, por pallet e por lotação; fracionado e lotação convivem na mesma tabela.
  2. Componentes frete-peso ou cubagem, ad valorem, GRIS, pedágio, TDE, TAS, TRT, coleta, entrega, devolução, seguro RCTR-C e frete mínimo; piso da ANTT como referência.
  3. Custo por km em seis passos variável, fixo do veículo, fixo da empresa, km produtivos com retorno vazio, margem de 10% a 25%, conversão em faixas.
  4. Quanto cobrar por km R$ 4 a R$ 7 (VUC e 3/4), R$ 6 a R$ 10 (toco e truck), R$ 8 a R$ 14 (carreta), mais pedágio, em faixas de referência; fracionado por faixa de peso.
  5. Pública e negociada faixas por rota e tipo de carga com cotação estimada no site; desconto, prazo e SLA no contrato por cliente.
  6. Reajuste e validade gatilho de diesel, repasse de pedágio, INPC anual; 30 a 90 dias na pública, 7 a 15 na cotação, 12 meses na negociada.
  7. Ferramenta comercial a tabela fecha o recorrente, sustenta homologação e licitação e reduz a cotação manual em 60% a 80% com o KOPFRETE e a Jornada do Cliente.

Montar tabela de frete é partir do custo por km da própria frota, somar os componentes, respeitar o piso da ANTT, publicar faixas por rota com cotação estimada e negociar por cliente com reajuste e validade. O Grupo KOP publica as faixas e a cotação estimada no site de transportadoras desde 2016, com a Jornada do Cliente e o KOPFRETE; o caminho está em marketing para logística e transportes e os preços em tabela de preços.

Renan Quintanilia, fundador e diretor do Grupo KOP
Sobre o autor

Renan Quintanilia

Fundador e Diretor · Grupo KOP

Atua há mais de 10 anos com marketing digital especializado em Google. Fundou a KOP em 2016 e desde então constrói operações digitais auditáveis para profissionais regulamentados e empresas em todo o Brasil. Especialista em SEO técnico, Google Ads, GEO, recuperação de sites e Google Search Console, escreve sobre o que aplica todos os dias nos clientes da agência.

A KOP é a agência que coloca transportadoras na primeira página, com site que é da empresa e cotação estimada em minutos, desde 2016.

Ler ajuda. Aplicar resolve.

Responda cinco perguntas e descubra se a KOP é para a sua empresa. A tabela de preços abre no fim da Jornada; o orçamento vai pronto para o WhatsApp.

Marketing para logística