Engenharia · Contratos

Como fazer matriz de riscos?

Faz-se a matriz de riscos listando os eventos que podem mudar custo e prazo, medindo probabilidade e impacto, atribuindo cada risco à parte que melhor o controla, definindo a mitigação e transformando a parte alocada à contratada em preço.

Renan Quintanilia, fundador do Grupo KOP, autor do artigo como fazer matriz de riscos
Renan QuintaniliaFundador · Grupo KOP
Publicado em 25 de outubro de 2026Engenharia e Construção · 16 min de leitura

A matriz de riscos é a cláusula do contrato que lista os eventos capazes de alterar custo, prazo ou qualidade de uma obra e diz, para cada um, quem paga a conta se ele acontecer. A Lei 14.133/2021 a define no art. 6º, inciso XXVII, torna-a obrigatória no edital de obras e serviços de grande vulto e nas contratações integrada e semi-integrada (art. 22, §3º) e estabelece no art. 103 como os riscos devem ser alocados. Em contratos privados de engenharia, especialmente EPC e preço global com projeto do contratado, a matriz é o documento que mais pesa na negociação depois do preço.

Matriz bem feita reduz o preço total da obra e o número de disputas: cada risco vai para quem consegue controlá-lo com menor custo, e o que fica com a contratada entra no preço de forma explícita, em vez de virar pleito de reequilíbrio dois anos depois. Matriz copiada de outro edital produz o efeito contrário: contratada com risco que não controla, preço inflado ou proposta inexequível. As sete seções abaixo mostram o que a lei exige, o método passo a passo, um modelo de matriz para obras, as regras da contratação integrada, a precificação do risco com números, como a gestão de riscos vira argumento comercial e os erros mais caros.

Como fazer matriz de riscos: o que é e quando a Lei 14.133/2021 exige

A matriz de riscos é a cláusula contratual que define os riscos e as responsabilidades entre contratante e contratada e caracteriza o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato. A Lei 14.133/2021 a torna obrigatória em obras e serviços de grande vulto e nos regimes de contratação integrada e semi-integrada; nos demais contratos ela é facultativa, mas recomendada em qualquer obra com incerteza relevante.

O que a lei diz que a matriz precisa conter

  • Eventos supervenientes à assinatura que possam causar impacto no equilíbrio econômico-financeiro e a previsão de eventual termo aditivo quando ocorrerem.
  • Nas obrigações de resultado: as frações do objeto em que a contratada tem liberdade para inovar em soluções metodológicas ou tecnológicas, com o risco correspondente.
  • Nas obrigações de meio: as frações do objeto em que não há essa liberdade, com o risco ficando com quem definiu a solução.

As regras de alocação do art. 103

  1. O risco é alocado considerando sua natureza, o beneficiário das prestações e a capacidade de cada parte para melhor gerenciá-lo.
  2. Riscos que têm cobertura de seguro oferecida no mercado devem ser preferencialmente transferidos à contratada.
  3. A alocação é quantificada para projetar seus reflexos no valor estimado da contratação.
  4. A matriz define o equilíbrio econômico-financeiro inicial; atendidas as condições pactuadas, considera-se mantido o equilíbrio, e as partes renunciam a pedidos de reequilíbrio sobre os riscos que assumiram, com exceção das alterações unilaterais da Administração e da mudança de tributos diretamente pagos pela contratada por lei superveniente.

Taxa de risco no valor estimado

O art. 22 permite que, havendo matriz, o valor estimado da contratação considere uma taxa de risco compatível com o objeto e com os riscos atribuídos à contratada, segundo metodologia do ente. Na prática, a contratada que assume mais risco pode e deve cobrar por isso, e o orçamento de referência precisa refletir o mesmo raciocínio.

Quando é obrigatória e quando é recomendada

  • Obra ou serviço de grande vulto (valor acima do limite da lei, atualizado anualmente por decreto): obrigatória. Confira o valor vigente no ano da licitação.
  • Contratação integrada: obrigatória. Contratada faz projeto básico e executivo.
  • Contratação semi-integrada: obrigatória. Contratada faz o executivo e pode alterar o básico.
  • Empreitada por preço global ou unitário comum: facultativa. Recomendada em obras com geotecnia, interferências ou licenças incertas.
  • Estatais (Lei 13.303/2016): prevista na lei das estatais. Siga o regulamento de licitações da empresa.
  • Contrato privado EPC ou preço global com projeto: sem exigência legal, prática de mercado. Peça central da negociação.

Como fazer matriz de riscos passo a passo: identificar, avaliar e alocar

A matriz de riscos é construída em seis etapas: identificar os eventos por fase da obra, descrever cada um com gatilho e consequência, avaliar probabilidade e impacto, alocar à parte que melhor gerencia, definir mitigação e tratamento financeiro, e escrever a cláusula. Uma matriz de obra média tem de 15 a 40 riscos; abaixo de 10, quase sempre algo relevante ficou de fora.

Etapa 1: identificar os riscos por fase

  • Licenças e área: licença ambiental, alvará, desapropriação, liberação de faixa, interferências com concessionárias.
  • Projeto: erro ou omissão do projeto básico, divergência de sondagem, mudança de norma técnica.
  • Execução: produtividade, acidente de trabalho, danos a terceiros, chuva acima da média histórica, furto e vandalismo.
  • Suprimentos: variação de preço de insumo acima do índice de reajuste, atraso de fornecedor, câmbio de equipamento importado.
  • Financeiro e legal: atraso de pagamento, mudança de tributo, greve, decisão judicial que paralisa a obra.
  • Operação e entrega: comissionamento, desempenho de equipamentos, vícios construtivos.

Etapa 2: descrever cada risco

Cada linha precisa de um evento objetivo e verificável. "Problemas geológicos" não serve; "solo com resistência inferior à indicada no relatório de sondagem do edital, exigindo fundação mais profunda" serve. A descrição precisa permitir que um terceiro diga, olhando o diário de obra, se o evento ocorreu.

Etapa 3: avaliar probabilidade e impacto

  1. Probabilidade em escala de 1 a 5 (1 = abaixo de 10%; 5 = acima de 70%).
  2. Impacto em escala de 1 a 5, de preferência convertido em reais e em dias.
  3. Severidade = probabilidade × impacto; acima de 12 é risco crítico, de 6 a 12 é moderado, abaixo de 6 é baixo.
  4. Para os críticos, estimar valor esperado: probabilidade percentual × impacto em reais.

Etapa 4: alocar

  • Fica com a contratante o risco que ela controla ou que depende de ato público: licenças, desapropriação, projeto que ela forneceu, mudança de escopo, atraso de pagamento.
  • Fica com a contratada o risco que ela controla ou que tem seguro: produtividade, método construtivo, segurança do trabalho, projeto que ela elaborou, danos a terceiros.
  • Compartilhado: eventos que nenhuma parte controla e são grandes demais para uma só, como chuva extrema ou variação extraordinária de insumo, com faixa (a contratada absorve até X%, acima disso reequilíbrio).

Etapas 5 e 6: mitigação, tratamento financeiro e cláusula

Para cada risco, a matriz registra a ação que reduz a probabilidade ou o impacto (sondagem complementar, seguro de risco de engenharia, cláusula de pagamento por evento), o tratamento quando ocorre (absorvido pelo preço, aditivo, reequilíbrio, acionamento de seguro) e o prazo para notificação. A cláusula final remete à tabela anexa e diz que os riscos alocados à contratada estão remunerados no preço.

Como fazer matriz de riscos de obra: modelo de tabela com os riscos típicos

Um modelo de matriz de riscos de obra tem, por linha, o risco, a descrição objetiva, a parte responsável, a mitigação e o tratamento financeiro. A tabela abaixo é uma referência para empreitada por preço global com projeto fornecido pela contratante; em contratação integrada, os riscos de projeto migram para a contratada.

RiscoDescrição objetivaAlocaçãoMitigaçãoTratamento se ocorrer
Licenças e autorizaçõesAtraso na emissão de licença ambiental ou alvará além do prazo previstoContratanteLicença prévia antes da licitaçãoAditivo de prazo e custo indireto
Desapropriação e liberação de áreaÁrea não liberada na data da ordem de serviçoContratanteCronograma de liberação no editalAditivo de prazo e reequilíbrio
GeologiaSolo divergente do relatório de sondagem do editalContratante (projeto dela)Sondagem complementar no inícioAditivo qualitativo
InterferênciasRede enterrada não cadastradaCompartilhadoCadastro e prospecção préviaContratada absorve até um valor; acima, aditivo
ProdutividadeRendimento da equipe abaixo do planejadoContratadaPlanejamento e controle semanalAbsorvido no preço
ChuvaDias de chuva acima da média histórica do mêsCompartilhadoCronograma com dias improdutivos previstosPrazo acima da média; custo absorvido
Preço de insumoVariação acima do índice de reajuste do contratoContratada até um limite; acima, contratanteCompra antecipada, contratos com fornecedoresReequilíbrio só acima do limite pactuado
Acidente e danos a terceirosAcidente de trabalho, dano a imóvel vizinhoContratadaPrograma de segurança e seguro de responsabilidade civilSeguro e responsabilidade da contratada
TributosCriação ou alteração de tributo por lei posterior à propostaContratanteNão se aplicaReequilíbrio (exceção legal do art. 103)
Atraso de pagamentoPagamento além do prazo contratualContratanteCronograma de desembolso com dotaçãoAtualização financeira e, após o prazo legal, suspensão
Vício construtivoDefeito de execução identificado após o recebimentoContratadaControle tecnológico e inspeçãoCorreção às custas da contratada
Força maiorEvento extraordinário sem seguro disponívelContratantePlano de contingênciaReequilíbrio e prazo

Como adaptar o modelo ao contrato

  • Retire riscos que não existem na obra (sem desapropriação, sem linha) e acrescente os específicos (operação em planta industrial em funcionamento, trabalho em altura acima de 30 m, parada programada de fábrica).
  • Coloque valores nos riscos compartilhados: "a contratada absorve interferências até R$ 150.000 acumulados" é cláusula executável; "riscos razoáveis" não é.
  • Defina o prazo de notificação de cada evento (5 ou 10 dias, por exemplo) e a prova exigida (diário, laudo, boletim meteorológico).
  • Vincule cada risco alocado à contratante a um tratamento concreto: aditivo, reequilíbrio ou prazo.

Em obras industriais e privadas

Em montagem industrial e ampliação de fábrica em operação, os riscos mais relevantes são interface com a planta (parada, liberação de permissão de trabalho, acesso), desempenho de equipamento fornecido pelo cliente e prazo de comissionamento. Nesses contratos, a matriz anda junto com a proposta técnica e comercial, porque a metodologia proposta define quais riscos a contratada aceita.

Como fazer matriz de riscos na contratação integrada e semi-integrada

Na contratação integrada a contratada elabora o projeto básico e o executivo a partir de um anteprojeto, e na semi-integrada elabora o executivo e pode alterar o básico; por isso a matriz desses regimes transfere à contratada os riscos de projeto e de solução técnica, e a lei limita fortemente os aditivos de valor. O art. 133 da Lei 14.133/2021 só admite alteração de valor por caso fortuito ou força maior, por mudança pedida pela Administração que não decorra de erro da contratada, pela alteração de projeto prevista na semi-integrada ou por evento que a matriz atribua à Administração.

O que muda em relação à empreitada comum

  • Risco de projeto: erro, omissão ou subdimensionamento do projeto é da contratada.
  • Quantitativos: a contratada assume o risco de quantidades nas frações em que tem liberdade de solução (obrigação de resultado).
  • Geotecnia: tende a ficar com a contratada quando o edital fornece sondagem suficiente e prazo para investigação complementar; quando a sondagem é escassa, a alocação precisa ser compartilhada para não inflar o preço.
  • Licenças: a licença prévia e a desapropriação continuam, em regra, com a contratante; as licenças de instalação dependentes do projeto podem ir para a contratada.

Obrigação de resultado e obrigação de meio

A matriz precisa separar, fração por fração, onde a contratada tem liberdade (resultado: ela escolhe o método e responde pelo desempenho) e onde não tem (meio: a solução é imposta pela contratante, e o risco de a solução não funcionar é de quem a impôs). Uma estação de tratamento contratada por desempenho de efluente é obrigação de resultado; a tubulação de adução com traçado definido no anteprojeto é obrigação de meio.

Exemplo

Uma empresa de engenharia e montagem com 480 funcionários disputou uma estação de tratamento de efluentes em contratação integrada, valor estimado de R$ 64 milhões. O anteprojeto trazia 6 sondagens para uma área de 3,2 hectares. Na análise do edital, a empresa identificou que a matriz alocava a ela todo o risco geológico. Calculou: 35% de probabilidade de precisar de estaqueamento mais profundo em parte dos reatores, impacto de R$ 4,1 milhões, valor esperado de R$ 1,43 milhão. Pediu esclarecimento sugerindo risco compartilhado acima de R$ 1,5 milhão; o pedido foi negado, e a empresa embutiu 2,4% de taxa de risco geológico no preço. Durante a obra o evento ocorreu com custo de R$ 2,8 milhões, coberto em parte pela taxa embutida. A concorrente que cotou sem taxa de risco ficou 3% abaixo e teria absorvido o prejuízo integral.

Checklist do edital em contratação integrada

  1. O anteprojeto tem sondagem, topografia e cadastro de interferências suficientes para precificar.
  2. A matriz separa obrigação de resultado e de meio por fração do objeto.
  3. Riscos com seguro disponível estão com a contratada; riscos sem seguro e sem controle da contratada estão com a contratante ou compartilhados.
  4. O valor estimado considera taxa de risco compatível.
  5. Há prazo para investigação complementar antes de travar a solução.

Quando a matriz é desequilibrada, o caminho é o pedido de esclarecimento ou a impugnação no prazo do edital, não o aditivo depois; o motivo está em como fazer aditivo de contrato de licitação.

Como fazer matriz de riscos e precificar o risco: valor esperado, taxa de risco e BDI

O risco alocado à contratada precisa entrar no preço, e o caminho é calcular o valor esperado de cada risco relevante, somar, descontar o que a mitigação reduz e o que o seguro cobre, e converter o saldo em taxa de risco sobre o custo direto. O item "riscos" do BDI cobre os riscos ordinários de qualquer obra; riscos específicos assumidos na matriz exigem cálculo próprio.

Passo a passo do cálculo

  1. Listar os riscos alocados à contratada com severidade moderada ou crítica.
  2. Estimar a probabilidade percentual e o impacto em reais de cada um.
  3. Valor esperado = probabilidade × impacto.
  4. Subtrair a parte coberta por seguro (o prêmio entra como custo, não como risco).
  5. Somar os valores esperados residuais e dividir pelo custo direto: essa é a taxa de risco específica.
  6. Comparar com o item riscos do BDI; o que exceder entra como contingência explícita ou taxa de risco destacada, conforme o edital permitir.

Exemplo

Uma montadora industrial com 190 funcionários orça a ampliação de uma planta química privada em EPC, com custo direto de R$ 31 milhões. Riscos assumidos pela matriz proposta pelo cliente:

Risco alocado à contratadaProbabilidadeImpactoValor esperado
Erro de projeto executivo (próprio)25%R$ 1.200.000R$ 300.000
Atraso de equipamento importado30%R$ 900.000R$ 270.000
Variação cambial do equipamento40%R$ 700.000R$ 280.000
Produtividade em área com planta operando50%R$ 600.000R$ 300.000
Interferência não cadastrada20%R$ 500.000R$ 100.000
TotalR$ 1.250.000

Taxa de risco específica: 1.250.000 ÷ 31.000.000 = 4,0%. Com hedge do câmbio (custo de R$ 90.000, eliminando R$ 280.000 de valor esperado), a taxa cai para (1.250.000 − 280.000 + 90.000) ÷ 31.000.000 = 3,4%. A montadora levou à negociação duas alternativas: aceitar a matriz com 3,4% de contingência, ou transferir o risco de interferência ao cliente (que tinha o cadastro da planta) e reduzir para 3,1%. O cliente escolheu a segunda e o contrato fechou com preço 0,3 ponto menor e uma disputa a menos.

Regras práticas

  • Risco que a contratada não controla e não consegue segurar custa caro: o mercado cobra mais do que o valor esperado para aceitá-lo.
  • Em licitação pública, confira se o edital aceita taxa de risco destacada; se não aceitar, ela entra no BDI dentro dos limites de aceitabilidade. O método está em como calcular BDI para licitação.
  • Seguro de risco de engenharia e de responsabilidade civil custa, na referência de mercado, de 0,2% a 0,8% do valor da obra, conforme cobertura e franquia.
  • A garantia de execução não substitui seguro de risco; ela protege a contratante contra inadimplemento, conforme seguro garantia para licitação.

Como fazer matriz de riscos como diferencial: gestão de riscos para conquistar contratos e ser encontrado

Empresa de engenharia que sabe ler, negociar e precificar matriz de riscos tem um diferencial que o diretor de suprimentos e o gerente de projetos do contratante reconhecem na primeira reunião. Esse diferencial só gera contratos quando o comprador encontra a empresa antes da concorrência, e hoje essa busca começa no Google, no LinkedIn e nas respostas do ChatGPT, do Gemini e do modo IA do Google.

O que o comprador de EPC e de grandes obras procura

  • Experiência no tipo de obra e no regime (integrada, EPC, preço global com projeto).
  • Método de gestão de riscos e de mudanças, com exemplos de obras entregues no prazo e no valor.
  • Acervo técnico com quantitativos e atestados.
  • Equipe de engenharia de custos, planejamento e contratos identificada.
  • Certificações de qualidade e de segurança, quando houver.

Como publicar isso para ser encontrado

  1. Página por tipo de obra e por setor atendido (química, alimentos, saneamento, energia, hospitalar), com H1 igual à busca que o comprador faz.
  2. Página por regime de contratação: "empresa de EPC para indústria química", "contratação integrada de estação de tratamento".
  3. Página de método: como a empresa monta a matriz, precifica riscos e conduz mudanças. Primeira frase com a resposta, números reais de obras entregues.
  4. Acervo publicado: cada obra com porte, prazo, regime e resultado.
  5. Jornada do Cliente: o comprador informa tipo de obra, regime, porte, prazo e etapa (estudo, orçamento, licitação), e o pedido chega organizado ao WhatsApp do comercial.

Por que as IAs citam esse tipo de página

Quando um gerente de engenharia pergunta ao ChatGPT por "empresas com experiência em EPC de plantas químicas", a resposta cita empresas cujas páginas descrevem tipo de obra, regime, porte e método em texto claro. Site institucional com "soluções completas em engenharia" não é citado. A estrutura de páginas está em como fazer um site para empresa de engenharia, e a abordagem comercial para contas grandes, em como vender para grandes empresas.

O que muda no ciclo de venda

Empresas que publicam método e acervo relatam, na referência de mercado, reuniões de qualificação mais curtas, menos pedidos de proposta sem chance real e mais convites para propostas fechadas, porque o comprador chega já sabendo como a empresa trata risco e escopo.

Como fazer matriz de riscos sem erros: falhas comuns, prazos e custos

Os erros que mais custam na matriz de riscos são copiar a matriz de outro contrato, descrever riscos de forma vaga, alocar à contratada o que ela não controla, não colocar valores nos riscos compartilhados e não precificar o que foi assumido. O resultado aparece em proposta inexequível, preço inflado ou disputa de reequilíbrio que dura anos.

Os erros mais comuns

  • Matriz copiada: riscos de rodovia em edital de hospital; linhas que não se aplicam e riscos reais ausentes.
  • Descrição vaga: "problemas de solo", "imprevistos"; ninguém consegue provar se o evento aconteceu.
  • Tudo para a contratada: licença, desapropriação e projeto da contratante alocados à contratada; preço sobe ou a licitação fracassa.
  • Compartilhado sem número: "riscos serão compartilhados" sem limite em reais ou percentual vira disputa.
  • Risco assumido sem preço: a contratada aceita a matriz e não embute taxa de risco; o primeiro evento consome a margem.
  • Sem prazo de notificação: a contratada perde o direito por notificar tarde, ou a contratante não consegue contestar.
  • Matriz que contradiz o contrato: cláusula de reajuste ou de seguro incompatível com a alocação da tabela.
  • Matriz esquecida na execução: ninguém acompanha os riscos; o evento é tratado como surpresa e vira pleito genérico.

Prazo e custo de referência

AtividadePrazo (referência)Custo (referência de mercado)
Análise da matriz de um edital pela contratada3 a 7 diasEquipe interna de orçamento e contratos
Elaboração de matriz para obra média (15 a 25 riscos)2 a 4 semanasR$ 15.000 a R$ 60.000 em consultoria
Matriz com quantificação para grande vulto ou EPC4 a 10 semanasR$ 60.000 a R$ 250.000 em consultoria
Seguro de risco de engenharia1 a 3 semanas para emissão0,2% a 0,8% do valor da obra
Disputa de reequilíbrio por matriz mal escrita1 a 4 anosHonorários e custo financeiro de 5% a 20% do valor em disputa

Rotina de gestão de riscos na execução

  1. Registro de riscos atualizado mensalmente, com dono, status e gatilho.
  2. Reunião mensal de riscos com a fiscalização ou com o gerente do contratante.
  3. Notificação escrita no prazo da matriz para cada evento.
  4. Integração com o planejamento de obra: risco que se materializa entra no cronograma e na previsão de custo no mesmo mês.
  5. Lições aprendidas ao fim da obra, alimentando a próxima matriz e o próximo orçamento.

Perguntas sobre como fazer matriz de riscos

O que é matriz de riscos em contrato de obra

É a cláusula contratual que lista os eventos que podem alterar custo, prazo ou qualidade da obra e define qual parte suporta cada um, com mitigação e tratamento financeiro. Na Lei 14.133/2021, ela caracteriza o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato.

Quando a matriz de riscos é obrigatória na Lei 14.133

É obrigatória no edital de obras e serviços de grande vulto e nas contratações integrada e semi-integrada, conforme o art. 22. Nos demais contratos é facultativa.

Qual é o critério para alocar um risco

O risco vai para a parte que tem mais capacidade de gerenciá-lo com menor custo, considerando sua natureza e o beneficiário da prestação. Riscos que o mercado segura vão preferencialmente para a contratada.

Risco alocado à contratada dá direito a reequilíbrio

Em regra não: se o evento estava alocado à contratada, considera-se mantido o equilíbrio. As exceções previstas no art. 103 são as alterações unilaterais da Administração e a mudança de tributos pagos pela contratada por lei posterior.

Como colocar o risco no preço

Calcula-se o valor esperado de cada risco assumido (probabilidade vezes impacto), desconta-se o que o seguro cobre, soma-se e divide-se pelo custo direto para obter a taxa de risco. O excedente ao item riscos do BDI entra como contingência explícita quando o edital permite.

Quantos riscos uma matriz de obra deve ter

Uma obra média costuma ter de 15 a 40 riscos relevantes. Matrizes com menos de 10 linhas quase sempre deixam de fora riscos de licença, interferência, suprimento ou interface.

Matriz de riscos serve para contrato privado

Sim. Em contratos EPC e de preço global com projeto da contratada, a matriz é prática de mercado e define o preço e as disputas futuras, mesmo sem exigência legal.

Resumo · como fazer matriz de riscos

  1. Definição: cláusula que lista eventos de risco e quem os suporta; define o equilíbrio econômico-financeiro inicial (Lei 14.133/2021, art. 6º, XXVII, e art. 103).
  2. Obrigatoriedade: grande vulto, contratação integrada e semi-integrada (art. 22); facultativa nos demais contratos e prática de mercado em EPC privado.
  3. Método: identificar por fase, descrever de forma verificável, avaliar probabilidade e impacto, alocar, mitigar e escrever a cláusula.
  4. Alocação: para quem melhor gerencia o risco; riscos seguráveis preferencialmente com a contratada; compartilhados sempre com limite em reais.
  5. Integrada: risco de projeto com a contratada; aditivo de valor só nas hipóteses do art. 133.
  6. Preço: valor esperado dos riscos assumidos, menos seguro, dividido pelo custo direto, gera a taxa de risco específica.
  7. Execução: registro de riscos mensal, notificação no prazo e integração com cronograma e previsão de custo.

Fazer matriz de riscos é listar os eventos que mudam custo e prazo de uma obra, descrevê-los de forma verificável, alocar cada um a quem melhor o controla, colocar limites em reais nos riscos compartilhados e transformar o que fica com a contratada em preço, seguindo os arts. 22 e 103 da Lei 14.133/2021 nos contratos públicos e a mesma lógica nos contratos privados. O Grupo KOP coloca empresas de engenharia, montadoras e construtoras na primeira página do Google e nas respostas das IAs desde 2016, com garantia de primeira página em contrato, para que o método e o acervo da empresa cheguem aos compradores de grandes obras; o caminho completo está em marketing para engenharia.

Renan Quintanilia, fundador e diretor do Grupo KOP
Sobre o autor

Renan Quintanilia

Fundador e Diretor · Grupo KOP

Atua há mais de 10 anos com marketing digital especializado em Google. Fundou a KOP em 2016 e desde então constrói operações digitais auditáveis para profissionais regulamentados e empresas em todo o Brasil. Especialista em SEO técnico, Google Ads, GEO, recuperação de sites e Google Search Console, escreve sobre o que aplica todos os dias nos clientes da agência.

A KOP coloca empresas de engenharia e montadoras na primeira página do Google e nas IAs desde 2016.

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