A composição de custo unitário (CPU) é a ficha que diz quanto custa uma unidade de serviço: um metro quadrado de alvenaria, um metro cúbico de concreto lançado, um quilo de aço armado, um metro de tubulação assentada. Ela lista cada insumo necessário (material, mão de obra e equipamento), a quantidade de cada um por unidade (o coeficiente) e o preço de cada insumo; multiplicando coeficiente por preço e somando, chega-se ao custo unitário. O orçamento analítico de uma obra é a soma de centenas de composições multiplicadas pelos quantitativos do projeto.
A composição é onde a construtora ganha ou perde a concorrência antes da obra começar. Um coeficiente de produtividade 15% mais realista em um serviço da curva A vale dezenas de milhares de reais em uma obra média; um encargo social no regime errado contamina toda a mão de obra do orçamento. As sete seções abaixo mostram a estrutura de uma CPU, o passo a passo com exemplo numérico, o cálculo da mão de obra e dos equipamentos, a adaptação das referências públicas, o uso da composição para conquistar contratos e os erros mais caros.
Como fazer composição de custo unitário: estrutura, insumos e coeficientes
Toda composição de custo unitário tem quatro elementos: o serviço com sua unidade de medida, os insumos que o serviço consome, o coeficiente de cada insumo por unidade de serviço e o preço unitário de cada insumo. Custo unitário = Σ (coeficiente × preço do insumo).
Os três tipos de insumo
- Materiais: coeficiente é o consumo por unidade de serviço, já com perdas (13,5 blocos por m² de alvenaria, 1,05 m³ de concreto por m³ lançado, 1,10 kg de aço por kg armado).
- Mão de obra: coeficiente é a produtividade em horas por unidade (0,80 hora de pedreiro por m² de alvenaria); o preço é o salário-hora com encargos sociais.
- Equipamentos: coeficiente em horas por unidade, separando hora produtiva e improdutiva; o preço é o custo horário do equipamento.
Composição simples e composição auxiliar
Serviços complexos usam composições dentro de composições. A argamassa de assentamento é uma composição auxiliar (cimento, cal, areia, betoneira, servente) que entra como insumo na composição de alvenaria; o concreto preparado em obra entra na composição de pilares; a forma entra na de estrutura. Montar as auxiliares primeiro evita repetir cálculo e garante que uma mudança de preço do cimento se propague por todo o orçamento.
O cabeçalho que toda composição precisa ter
- Código e descrição completa do serviço, com especificação (bloco cerâmico 14 × 19 × 39 cm, argamassa 1:2:8, junta de 1 cm).
- Unidade de medida idêntica à do quantitativo e à do critério de medição do contrato.
- Fonte: referencial (SINAPI, SICRO, tabela estadual) com código e data-base, ou própria, com a origem dos coeficientes.
- Regime de encargos: horista ou mensalista, desonerado ou não desonerado.
- Critério de medição: o que está incluído (perdas, transporte interno, limpeza) e o que não está.
Composição referencial e composição própria
- Referencial: publicada por órgão oficial, com coeficientes médios de mercado; obrigatória como parâmetro em obra pública e útil como ponto de partida.
- Própria: coeficientes medidos nas obras da empresa, com o equipamento, a sequência e as equipes que ela de fato usa; é a que define o preço competitivo em obra privada.
- Cotada: serviço subempreitado entra como insumo único, com o preço da melhor de três cotações e o escopo do fornecedor anexado.
Construtoras maduras mantêm as três lado a lado e comparam: se a própria fica 20% acima da referencial, há perda de produtividade a investigar; se fica 20% abaixo, há risco de premissa otimista.
Onde a composição entra no orçamento
Quantitativo × custo unitário de cada serviço resulta no custo direto; somados administração local e BDI, chega-se ao preço. O fluxo completo, do custo por m² ao orçamento analítico, está em como calcular custo de obra.
Como fazer composição de custo unitário passo a passo: exemplo de alvenaria
A composição se faz em oito passos: definir o serviço, fixar a unidade, listar insumos, apurar consumos, apurar produtividades, aplicar perdas, precificar insumos e somar. O exemplo abaixo usa alvenaria de vedação, serviço presente em quase toda obra comercial e industrial.
Os oito passos
- Definir o serviço com especificação: alvenaria de vedação com bloco cerâmico 14 × 19 × 39 cm, argamassa de assentamento preparada em obra, junta de 1 cm, pé-direito até 3 m.
- Fixar a unidade: m² de parede, descontando vãos acima de 2 m², conforme o critério de medição do contrato.
- Listar os insumos: bloco, argamassa (composição auxiliar), pedreiro, servente.
- Apurar o consumo de material: 12,8 blocos por m² pela geometria, mais perda.
- Apurar a produtividade: horas de pedreiro e de servente por m², medidas em obra ou tiradas da referência.
- Aplicar perdas no coeficiente do material (de 3% a 8% em blocos, conforme logística e cortes).
- Precificar: cotação do bloco posto obra, custo da argamassa pela auxiliar, salário-hora com encargos.
- Somar e registrar a data-base, a fonte e o regime de encargos.
Exemplo
Uma construtora de edificações comerciais com 160 funcionários compõe a alvenaria de um centro empresarial com 12 mil m² de paredes. Pedreiro com salário-hora de R$ 15,00 e servente com R$ 11,00, ambos com encargos sociais de 112% (horista, não desonerado). Coeficientes e preços são ilustrativos.
| Insumo | Unidade | Coeficiente | Preço unitário (R$) | Custo por m² (R$) |
|---|---|---|---|---|
| Bloco cerâmico 14 × 19 × 39 cm (com 5% de perda) | un | 13,50 | 2,80 | 37,80 |
| Argamassa de assentamento (composição auxiliar) | m³ | 0,012 | 520,00 | 6,24 |
| Pedreiro com encargos | h | 0,80 | 31,80 | 25,44 |
| Servente com encargos | h | 0,40 | 23,32 | 9,33 |
| Custo unitário | m² | 78,81 |
Leitura da composição
- Material responde por 56% (R$ 44,04) e mão de obra por 44% (R$ 34,77): a negociação do bloco e a produtividade da equipe pesam quase igual.
- Com 12 mil m², o serviço custa R$ 945.720 antes do BDI; com BDI de 24%, o preço unitário é R$ 97,72 por m².
- Produtividade 15% melhor (0,68 h de pedreiro e 0,34 h de servente) baixa o custo para R$ 73,59 por m² e economiza R$ 62.640 na obra.
- Argamassa industrializada no lugar da preparada em obra muda o insumo, elimina a betoneira e o servente de preparo e costuma ganhar produtividade; a decisão se toma comparando as duas composições.
- Encargos desonerados de 85% baixariam o salário-hora do pedreiro para R$ 27,75; a escolha do regime precisa bater com a situação real da empresa.
Como fazer composição de custo unitário de mão de obra: produtividade e encargos sociais
A parcela de mão de obra da composição é o coeficiente de produtividade (horas por unidade) multiplicado pelo salário-hora com encargos sociais. Os dois números vêm de fontes diferentes: a produtividade vem da obra; os encargos vêm da legislação trabalhista e do regime tributário da empresa.
Como apurar a produtividade na própria obra
- Escolha os serviços da curva A de mão de obra: alvenaria, forma, armação, concretagem, revestimentos, piso, instalações.
- Registre a equipe e as horas por dia: quantos oficiais e ajudantes, quantas horas efetivas, interrupções por chuva ou falta de material.
- Meça a quantidade executada no mesmo período, no mesmo critério de medição do orçamento.
- Calcule o coeficiente: horas-homem ÷ quantidade executada, separando oficial e ajudante.
- Repita em três obras ou mais e use a mediana, registrando as condições (altura, acesso, repetitividade).
Exemplo
Em uma obra de galpão com mezanino, uma equipe de 2 pedreiros e 1 servente executou 110 m² de alvenaria em 5 dias de 8,8 horas. Horas de pedreiro: 2 × 5 × 8,8 = 88; horas de servente: 44. Coeficientes: 88 ÷ 110 = 0,80 h/m² de pedreiro e 44 ÷ 110 = 0,40 h/m² de servente, os mesmos usados na composição da seção anterior. Em um pavimento-tipo repetitivo de edifício comercial, a mesma equipe chegou a 0,66 h/m²; a composição própria por tipologia captura essa diferença, a tabela genérica não.
Encargos sociais na composição
- Grupo A: contribuições sobre a folha (INSS patronal, quando não desonerado, FGTS, salário-educação, Sistema S, seguro de acidente).
- Grupo B: horas pagas e não trabalhadas (repouso, feriados, férias, 13º, faltas justificadas).
- Grupo C: indenizações na rescisão (aviso prévio, multa do FGTS).
- Grupo D: reincidências de um grupo sobre outro.
Como referência de mercado, o horista fica entre 105% e 120% no regime não desonerado e entre 80% e 90% no desonerado; o mensalista, de 65% a 75% e de 40% a 50%, respectivamente. O cálculo grupo a grupo está em como calcular encargos sociais na construção civil.
Fatores que alteram a produtividade
- Repetitividade: pavimentos-tipo e módulos iguais ganham de 10% a 25% depois das primeiras repetições.
- Altura e acesso: fachada com balancim ou plataforma perde de 15% a 30% em relação ao trabalho no piso.
- Logística de material: falta de bloco ou de argamassa na frente de serviço é a principal causa de hora improdutiva de equipe.
- Clima e turno: chuva, calor extremo e turno noturno reduzem rendimento e precisam aparecer como premissa.
Encargos complementares
Alimentação, transporte, EPI, ferramentas manuais, exames ocupacionais e seguro de vida entram como encargos complementares por hora, na composição ou em itens próprios. Em obra afastada da base, alojamento e deslocamento podem somar de R$ 6 a R$ 15 por hora trabalhada e mudar o resultado da concorrência.
Como fazer composição de custo unitário de equipamentos: custo horário produtivo e improdutivo
A composição de um serviço mecanizado usa o custo horário do equipamento, calculado em duas versões: custo horário produtivo (CHP), quando o equipamento está operando, e custo horário improdutivo (CHI), quando está à disposição, parado à espera de outro equipamento ou de frente de serviço. É a lógica usada no SICRO e a que se aplica a terraplenagem, pavimentação, concretagem bombeada e montagem com guindaste.
Os componentes do custo horário
- Depreciação: (valor de aquisição − valor residual) ÷ vida útil em horas.
- Juros do capital: custo de oportunidade do dinheiro imobilizado, sobre o investimento médio, dividido pelas horas trabalhadas no ano.
- Manutenção: percentual da depreciação, conforme o tipo de equipamento e a severidade do uso.
- Operação: combustível, lubrificantes, filtros, pneus ou material rodante.
- Mão de obra de operação: operador com encargos, por hora.
O CHP soma todos os componentes; o CHI considera apenas depreciação, juros e operador, porque o equipamento parado não consome combustível nem se desgasta como em operação.
Exemplo
Uma empreiteira de terraplenagem e infraestrutura com 140 funcionários calcula o custo horário de uma escavadeira hidráulica de R$ 900 mil, valor residual de 30%, vida útil de 10 mil horas e 2 mil horas de uso por ano. Valores ilustrativos.
| Componente | Cálculo | CHP (R$/h) | CHI (R$/h) |
|---|---|---|---|
| Depreciação | 900.000 × 70% ÷ 10.000 h | 63,00 | 63,00 |
| Juros | 900.000 × 12% × 0,65 ÷ 2.000 h | 35,10 | 35,10 |
| Manutenção | 80% da depreciação | 50,40 | — |
| Combustível e lubrificantes | 18 L/h × R$ 6,20 | 111,60 | — |
| Operador com encargos | 1 h × R$ 42,00 | 42,00 | 42,00 |
| Total | 302,10 | 140,10 |
Do custo horário ao custo por m³
Com produção de 90 m³ por hora produtiva de escavação em material de primeira categoria e utilização de 85% (15% do tempo esperando caminhão), o custo médio por hora é 0,85 × 302,10 + 0,15 × 140,10 = R$ 277,80, e a produção média é 76,5 m³ por hora. Custo da escavação: R$ 277,80 ÷ 76,5 = R$ 3,63 por m³, sem o transporte. Se a frota de caminhões for subdimensionada e a utilização cair para 70%, o custo sobe para R$ 4,02 por m³, 11% a mais em um serviço que, em uma plataforma industrial, passa de 200 mil m³.
Patrulha mecanizada e equipamento-gargalo
Em serviços com vários equipamentos trabalhando juntos (escavadeira, caminhões, motoniveladora, rolo), a produção da patrulha é a do equipamento mais lento. A composição calcula a produção do equipamento-gargalo e lança os demais com hora produtiva proporcional ao seu uso e hora improdutiva no restante. Uma escavadeira que carrega um caminhão a cada 3 minutos, com ciclo de transporte de 24 minutos, exige oito caminhões; com seis, a escavadeira fica 25% do tempo parada e o custo por m³ da escavação sobe cerca de 15%, porque a hora parada continua sendo paga.
Equipamento próprio, locado ou subempreitado
- Próprio: CHP e CHI calculados como acima; exige controle de horímetro.
- Locado: preço da locação por hora ou mês, mais combustível e operador quando não incluídos.
- Subempreitado: preço por unidade de serviço; a composição vira um insumo único, com cotação.
Como fazer composição de custo unitário com SINAPI e SICRO: adaptar a referência
Em obra pública, a composição parte das tabelas referenciais: SINAPI para edificações e saneamento, SICRO para obras de infraestrutura de transportes, conforme o Decreto 7.983/2013 nas obras com recursos federais e com a Lei 14.133/2021 mantendo essas tabelas como referência prioritária. Em obra privada, a referência é ponto de partida para a composição própria.
Como usar a referência corretamente
- Escolha a data-base, o estado e o regime (desonerado ou não desonerado) iguais aos do edital ou da proposta.
- Abra a composição analítica, não só o preço sintético: confira insumos, coeficientes e composições auxiliares.
- Confira se a especificação bate com o projeto: bloco, traço, espessura, altura, acabamento.
- Quando não bater, adapte: troque o insumo pelo especificado, mantenha a produtividade quando a execução for equivalente e registre a alteração.
- Quando não houver composição, monte a própria com base em outras tabelas oficiais, publicações técnicas ou pesquisa de mercado documentada, e justifique.
Exemplo
Uma construtora industrial precisa compor piso de concreto armado com tela, 15 cm, endurecedor de superfície e acabamento polido, sem composição idêntica na referência. Monta a composição própria por m²: concreto usinado bombeável 0,158 m³ × R$ 560 (R$ 88,48), tela soldada 1,10 m² × R$ 26 (R$ 28,60), endurecedor 4 kg × R$ 3,50 (R$ 14,00), corte e selagem de juntas 0,40 m × R$ 18 (R$ 7,20), acabador 0,35 h × R$ 31,80 (R$ 11,13), servente 0,45 h × R$ 23,32 (R$ 10,49), acabadora de superfície 0,06 h × R$ 45 (R$ 2,70) e régua vibratória 0,05 h × R$ 30 (R$ 1,50). Custo unitário: R$ 164,10 por m², sem sub-base e sem BDI. A justificativa anexa traz três cotações do concreto e da tela e a apropriação de produtividade de duas obras anteriores.
Documentação da adaptação
Cada composição adaptada leva uma nota curta: código da referência de origem, o que mudou (insumo, coeficiente, equipamento), por que mudou (especificação do projeto, método executivo) e de onde veio o novo valor (cotação, apropriação, publicação técnica). Essa nota responde ao questionamento da comissão de licitação ou do fiscal em minutos e evita glosa na medição.
O que a fiscalização confere em licitação
- Preço unitário de cada serviço contra a referência do edital (critério de aceitabilidade de preços unitários).
- Coerência entre a composição, o BDI e os encargos declarados.
- Composições dos serviços mais relevantes, quando o edital exige a apresentação.
- Exequibilidade do preço global e dos itens da curva A.
A montagem da planilha completa para concorrência está em como fazer orçamento para licitação, e a priorização dos serviços que mais pesam, em como fazer curva ABC de obra.
Como fazer composição de custo unitário que ganha contratos: base própria, site e IAs
A base própria de composições é o que separa a construtora que ganha concorrência com margem da que ganha com prejuízo: com produtividades reais, a empresa sabe até onde pode baixar o preço e onde não pode. Além disso, ela vira argumento comercial diante de compradores corporativos que exigem planilha aberta.
Como a composição sustenta a venda
- Planilha aberta com composições: gerentes de engenharia de indústrias e incorporadoras comparam propostas item a item; quem justifica cada preço vence o desempate técnico.
- Negociação com dados: quando o cliente pede desconto, a composição mostra o que muda (especificação, prazo, sequência) em vez de cortar margem.
- Aditivos e pleitos: serviço novo precificado com composição no mesmo padrão do contrato é aprovado mais rápido.
- BDI coerente: composição limpa evita que custos de canteiro entrem escondidos no percentual, como mostra como calcular BDI para licitação.
O comprador industrial avalia fornecedor por método, prazo e risco antes de preço; a lógica dessa compra está em como vender para indústrias.
O que publicar para ser encontrado por quem contrata
Compradores pesquisam no Google e perguntam ao ChatGPT, ao Gemini e ao modo IA do Google por "empresa de piso industrial", "construtora de galpões" ou "custo de piso industrial por m²". A empresa que publica o método de orçamento e o acervo com números aparece; a que publica slogans não.
- Uma página por serviço executado (piso industrial, estrutura pré-moldada, terraplenagem, montagem eletromecânica), com H1 igual à busca e a resposta na primeira frase.
- Páginas de obras do acervo com área, volume, prazo, especificação e faixa de custo por unidade.
- Uma página "como orçamos": etapas, documentos que o cliente envia, prazo da proposta, planilha aberta.
- Jornada do Cliente que pergunta tipo de serviço, quantidade aproximada, local, estágio do projeto e prazo, e entrega a consulta organizada no WhatsApp do comercial.
O texto que a IA cita afirma o número com contexto: "piso industrial de 15 cm com tela e endurecedor, executado em 6.000 m² de centro de distribuição em 45 dias". Página com especificação, volume e prazo é fonte; página com "qualidade e compromisso" é ignorada.
A arquitetura completa está em como fazer um site para empresa de engenharia.
Exemplo
Uma empresa de pisos industriais com 90 funcionários e atuação em obras de centros de distribuição publicou 6 páginas de serviço, 18 obras com m² executado, especificação e prazo, e um texto sobre como compõe o custo do piso por m². Em sete meses, passou a ser citada pelo modo IA do Google para "piso industrial para centro de distribuição" e recebeu 11 consultas por mês de construtoras e indústrias, contra 3 antes, com área e especificação já informadas na Jornada do Cliente.
Como fazer composição de custo unitário: erros comuns, revisão e tempo de elaboração
Os erros mais caros na composição de custo unitário são unidade diferente do quantitativo, perda aplicada duas vezes, produtividade de tabela em condição atípica e encargos no regime errado. Todos se resolvem com cabeçalho completo e revisão por um segundo orçamentista nos serviços da curva A.
Os erros mais comuns
- Unidade incompatível: composição em m³ e quantitativo em m², ou kg de aço composto e quantitativo em barras.
- Perda em dobro: perda aplicada no coeficiente e de novo no quantitativo.
- Produtividade fora de contexto: coeficiente de pavimento térreo usado em fachada a 40 m de altura.
- Encargos errados: composição desonerada em empresa que recolhe sobre a folha, ou o contrário.
- Equipamento sem hora improdutiva: custo subestimado em serviços com espera de caminhão, concreto ou frente liberada.
- Especificação diferente do projeto: composição de referência com insumo mais barato que o especificado.
- Data-base misturada: insumos cotados hoje com composições de referência de dez meses atrás.
Tempo e custo de elaboração
| Tarefa | Tempo de referência | Quando vale a pena |
|---|---|---|
| Adaptar composição referencial (SINAPI, SICRO) | 15 a 40 minutos por composição | Licitação e serviços de baixo peso |
| Composição própria com apropriação em obra | 1 a 3 semanas de medição + 2 a 4 horas de análise | Serviços da curva A repetidos em várias obras |
| Custo horário de equipamento (CHP e CHI) | 1 a 2 horas por equipamento | Frota própria e serviços mecanizados |
| Composição de serviço sem referência | 4 a 8 horas, com cotações | Serviços especiais (piso, impermeabilização, montagem) |
| Base própria com 300 a 600 composições | 6 a 12 meses de área de orçamento dedicada | Construtoras que orçam mais de 20 obras por ano |
Rotina de revisão da base
- Atualizar preços de insumos da curva A a cada mês e os demais a cada trimestre.
- Revisar produtividades a cada obra encerrada, comparando previsto e realizado.
- Recalcular encargos sociais quando mudar convenção coletiva ou regime tributário.
- Registrar versão e data-base de cada composição usada em proposta, para pleitos futuros.
- Conferir, a cada orçamento, se o peso de material e mão de obra de cada composição está dentro do histórico.
Sinais de composição errada no realizado
- Consumo de material acima de 10% do previsto em serviço repetitivo: perda subestimada ou coeficiente de consumo errado.
- Horas de equipe acima de 15% do previsto sem mudança de escopo: produtividade de referência que não vale para a obra.
- Horímetro com muita hora parada: patrulha mal dimensionada ou falta de frente de serviço.
- Medição de serviço que não fecha com o quantitativo: critério de medição diferente do usado na composição.
Cada sinal volta para a base como correção, e a próxima proposta já sai com o número certo.
Como referência de mercado, uma área de orçamento com base própria madura reduz o tempo de um orçamento analítico de obra média de cinco para duas a três semanas e o desvio entre custo previsto e realizado para menos de 5%.
Perguntas sobre como fazer composição de custo unitário
O que é composição de custo unitário
É a ficha que calcula o custo de uma unidade de serviço, listando materiais, mão de obra e equipamentos, com o coeficiente de cada insumo por unidade e o seu preço. A soma de coeficiente × preço é o custo unitário.
Qual a diferença entre coeficiente de consumo e de produtividade
Consumo vale para materiais e indica a quantidade de material por unidade de serviço, já com perdas. Produtividade vale para mão de obra e equipamentos e indica as horas necessárias por unidade de serviço.
O BDI entra na composição de custo unitário
Não. A composição calcula o custo direto; o BDI é aplicado depois, sobre o custo unitário ou sobre o custo total, para formar o preço de venda.
Posso alterar uma composição do SINAPI em licitação
Pode adaptar insumos e coeficientes quando a especificação do projeto for diferente, desde que justifique tecnicamente e mantenha o preço dentro do critério de aceitabilidade do edital.
Como calcular o custo horário de um equipamento
Some depreciação, juros do capital, manutenção, combustível e operador para o custo horário produtivo. Para o improdutivo, considere só depreciação, juros e operador.
Qual percentual de encargos sociais usar na composição
Como referência, de 105% a 120% para horista não desonerado e de 80% a 90% para desonerado. O percentual correto depende do regime da empresa, da convenção coletiva e do edital.
Quanto tempo leva para montar uma base própria de composições
De 6 a 12 meses para 300 a 600 composições, com área de orçamento dedicada e apropriação de produtividade em obras. Os serviços da curva A devem ser os primeiros.
Resumo · como fazer composição de custo unitário
- Estrutura: serviço e unidade, insumos, coeficientes e preços; custo unitário = Σ (coeficiente × preço).
- Oito passos: especificar, fixar unidade, listar insumos, apurar consumo e produtividade, aplicar perdas, precificar e somar.
- Mão de obra: produtividade medida em obra e salário-hora com encargos sociais no regime correto.
- Equipamentos: custo horário produtivo e improdutivo, com utilização real da frota.
- SINAPI e SICRO: abrir a composição analítica, conferir especificação, adaptar e justificar.
- Base própria sustenta preço, negociação e aditivos; acervo e método publicados trazem consultas qualificadas.
- Revisão: unidade, perdas, encargos e data-base conferidos por um segundo orçamentista na curva A.
Fazer uma composição de custo unitário é especificar o serviço, listar materiais, mão de obra e equipamentos, aplicar coeficientes de consumo e produtividade reais, precificar cada insumo com encargos e custo horário corretos e registrar fonte e data-base, construindo uma base própria que sustenta preço, negociação e reputação diante de quem contrata. O Grupo KOP coloca construtoras e empresas de engenharia na primeira página do Google e nas IAs desde 2016, com garantia de primeira página em contrato; o método completo está em marketing para engenharia.